quinta-feira, 16 de julho de 2015

Boxe

Despertou sentindo como se numa realidade paralela um outro ele estivesse entrando em um pesadelo. Então é isso que aconteceria se tudo tivesse dado errado? Parecia a imaginação criando espontaneamente histórias absurdas para justificar o argumento, mas na verdade era apenas a memória voltando à ativa em potência alta depois do breve descanso.

Estava fantasiando outra vida, em que era menos fudido, em que ela gostava dele, em que tinha planos. Quando num estalo voltou à realidade e percebeu sua situação, sua vida, foi como um soco no estômago recebido do campeão perante um Maracanã lotado. A lona, a dor, o choque, a humilhação, a tristeza, o fim do sonho, perceber que não teria mais chances de disputar o cinturão. A vontade de pendurar as luvas e a nostalgia daquele período de treinos, de sonhos, onde as possibilidades eram infinitas e para seu ego nada era impossível. Não foi o primeiro soco no estômago, foram centenas ao longo dos anos, mas para quem não tem mais o que ganhar fica difícil se pôr novamente de pé.

Mas, e para quem não tem o que perder? Como fica?