terça-feira, 4 de setembro de 2012

Idéias Para Obras de Arte Conceitual (1)

Idéia#1 - Master System Post Mortem

O cadáver de um homem na faixa dos 25 anos deverá ser empalhado, de forma que fique sentado em um sofá, com a coluna inclinada para a frente, os antebraços apoiados nas coxas, e as mãos de um modo que segurem o controle de um Master System, com os dedões esticados sobre os botões do mesmo. O homem será vestido com uma cueca samba-canção, uma camiseta branca velha com manchas de molho de tomate, e meias de algodão esburacadas. O sofá precisa ser antigo, de tecido marrom e bege, e feder a cachorro. O chão será acapertado em verde-musgo na área da instalação. Os olhos do defunto ficarão bem abertos, olhando diretamente para a frente. Terá a boca entreaberta, de um jeito que provavelmente o faria babar se estivesse vivo. Uma TV ligada 24 horas por dia a um Master System será colocada à sua frente, com o jogo de boxe Heavyweight Champ no videogame, sempre no modo de dois jogadores. O homem deve ser colocado sentado no lado esquerdo do sofá, segurando o controle do jogador um. O visitante poderá então sentar-se do lado direito, apertar um botão no controle do jogador dois, e começar uma luta contra o empalhado. Naturalmente, o boneco do jogador um ficará parado, e o jogador dois poderá bater à vontade no morto, até levá-lo ao nocaute, ganhar por pontos, ou simplesmente se cansar e deixar o defunto não-jogando sozinho.

Idéia#2 - Sangue Poente

Esta instalação só funcionará por volta das 4:30 da tarde às 7:00 da noite. Uma TV LCD 42”, ainda com os decalques de informações técnicas colados em suas bordas, para mostrar se tratar de uma TV recém-comprada, será instalada em uma sala de paredes brancas. Já com os visitantes presentes, o aparelho será sintonizado em um programa policial de fim de tarde, com o volume no máximo, e as portas da sala serão trancadas. Um sistema de captação de som e análise de decibéis identificará o tom de voz e o volume da fala do apresentador. Quando o discurso do mesmo passar de um nível razoavelmente humano, um jato de sangue de porco deve ser expelido da parte superior da TV, em direção aos presentes. Quanto maior a raiva e a gritaria do homem na TV, maior deve ser a intensidade dos jatos de sangue suíno. Quando for proferido pelo apresentador algum dos jargões pré-programados (é o fim do mundo; pena de morte; direitos humanos só existe pra bandido; quer moleza deita no miojo; falta de Deus no coração; eu não tenho medo de ameaça; tem que matar todo mundo; entre outros), de lados opostos da sala deverá sair um grupo de homens representando policiais e um outro representando bandidos. Todos estarão munidos de armas de paintball de aparência realista, e começarão a atirar uns nos outros, com os visitantes no meio do fogo cruzado. O alvo principal dos dois lados, disfarçadamente, deve ser os visitantes. A cada acerto em áreas que possam colocar a integridade física dos visitantes em perigo, como olhos, nariz, seios, saco, o policial que acertou o tiro deverá gritar “Auto de resistência! Auto de resistência!”. Em caso do tiro ser proferido por algum dos bandidos, o mesmo deverá gritar “Fui eu não, senhor!”. Apesar de ter os visitantes como alvo principal, é importante que policiais e bandidos também atirem em seus rivais, e eventualmente em membros do próprio grupo, para que tudo faça menos sentido. Os ataques levarão três minutos, então os homens sairão e deixarão os visitantes ainda trancados e recebendo os jatos de sangue, e só voltarão se outro jargão for dito. A sessão se encerrará ao mesmo tempo em que terminar o horário dos programas policiais, ou quando algum dos visitantes se encontrar gravemente ferido, o que vier primeiro. O não uso de camisas é o que diferenciará os bandidos dos policiais.

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