quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Sonhos Sonhados: Sonho de 25/02/2009

Essa noite sonhei que o mundo ia acabar. E que eu fui o escolhido por Deus para ser o único homem a ser salvo. Esquema meio Noé, mas sem precisar salvar os animais, ou construir uma arca, ou qualquer obrigação. Aparentemente o mundo ia acabar só pelo meu prazer, quer dizer, não que eu sentiria prazer se o mundo acabasse, mas enfim, era sonho, porra. Então Deus, que na verdade não era Deus, era só meu pensamento falando comigo, me ordenou que eu escolhesse alguma coisa para ser salva comigo. De tudo que existe no mundo, apenas uma coisa poderia ser salva. A música, a literatura, a Guinness, a aurora boreal... Mas eu não precisei de dois segundos para pensar, respondi na lata: A Ellen Rocche. A Ellen Rocche?, minha consciência-Deus perguntou. Sim, a Ellen Rocche, eu respondi, com tanta certeza que meu pensamento se assustou.
- Mas, meu amigo...
- Eu não sou seu amigo! – Respondi bruscamente, e minha consciência teve que concordar que era uma verdade.
- Ok, desculpe... Mas, colega, – Decidi não retrucar essa – pense bem... Vai acabar tudo, tudo... Tem certeza que só o que você quer que sobre é a Ellen Rocche? De tudo no mundo, na vida?
- É. – Para mim era uma escolha tão óbvia que era até difícil criar argumentos. Era como tentar explicar porque beber água é legal.
- Tudo bem! Mas aviso, eu lavo as minhas mãos, o que acontecer no novo mundo será de responsabilidade sua, apenas sua!
- Ellen Rocche.
- Ellen Rocche!
E tudo ficou branco, o vazio total, um minuto depois aparece bem na minha frente a Ellen Rocche, a própria, com dois éles e dois cês, em toda sua glória, vestida na fantasia de madrinha de bateria. Ela olhou para os lados, viu o nada, o branco infinito, voltou para mim e perguntou:
- O que é isso?
- Acabou o mundo, Ellen.
- Acabou?
- Acabou.
Ela pareceu bastante decepcionada, abaixou o rosto e se calou. Depois de alguns minutos resolvi quebrar o gelo:
- Sabe... De tudo que existia no mundo, tudo, a música, a televisão, a literatura, tudo, o que eu escolhi para salvar foi você.
Ela levantou o rosto, me olhou meio confusa, e enojada, virou-se, andou alguns metros, deitou com o rosto virado para o chão, os braços sob os olhos, e disse:
- Quero ir embora.
Assim se passaram vinte anos. E depois de vinte anos eu estava começando a ficar ligeiramente cansado de olhar para a Ellen Rocche deitada com a bunda para cima numa fantasia de madrinha de bateria. Decidi ir falar com ela.
- Sabe?, Ellen, eu...
- Eu quero o divórcio. – Respondeu, sem levantar o rosto.
- Mas Ellen, nós não somos casados...
- Não?
- Não...
Ela levantou o rosto, me olhou surpresa e gritou:
- Então vai se fuder!
Eu ia responder que era exatamente isso o que eu fiquei fazendo pelos últimos vinte anos enquanto olhava a sua majestosa bunda, mas aparentemente o sonho acabou. Pelo menos é só até aí que me lembro.