sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Crítica: The Killer Eye



Como todo bom filme de terror, “The Killer Eye” abre com a imagem de uma terrível tempestade, que poderia ser assustadora se não fosse em um prédio qualquer de Nova York. O laboratório do cientista louco fica em um assustador prédio de Nova York, e essa é só uma das muitas coisas que nos obrigamos a ignorar para que o filme faça o mínimo de sentido. Essa é também a única tomada externa, repetida sistematicamente, todas as outras cenas são filmadas em uns cinco ambientes diferentes, em estúdio, e não passa disso.
Famoso por seus filmes de terror e erotismo, o diretor que eu desconheço quem seja mostra em “The Killer Eye” cenas que dificilmente assustariam ou excitariam alguém com uma mente razoavelmente saudável. “Mas como assim, cara? A Jacqueline Lovell não está no filme?”, você pergunta. Sim, está, e eu imagino a decepção dos que passaram horas nas filas dos cinemas dos shoppings, esperando ansiosamente para ver a nudez da nossa ex-estrela de softcore favorita, aos se depararem com apenas uma não muita longa aparição de seus pouco volumosos, porém muito bonitos seios, e nada mais. A nudez frontal e bundal fica por conta da outra atriz do filme, visivelmente fora de forma e da idade padrão para cenas de nudez total. Provavelmente aceitou aparecer nua esperando que isso alavancasse sua carreira, o que infelizmente não aconteceu, já que ela nunca mais fez outro filme na vida.
Fora as duas atrizes já citadas, o filme conta com seis atores. E só. O tom homo-erótico já fica evidente logo na primeira cena, quando para convencer um morador de rua a ir ao seu laboratório, o cientista louco insinua que quer pagar por sexo. E quando já dentro do laboratório o mendigo pergunta se o cientista quer seus serviços sexuais, esse responde que não com um intrigante sorriso, como se dissesse: Fica pra mais tarde. Além disso, todos os personagens masculinos passam o filme todo evitando qualquer contato sexual com os personagens femininos, contatos sexuais que não acontecem há um bom tempo, como a personagem de Lovell não tem vergonha de dizer. Fora o cientista e o mendigo cobaia, o filme conta com o ajudante do cientista, que é o marido da acima do peso, além de um louco, que não explica bem o que caralho está fazendo na estória, e dois amigos chapados, que fazem o papel dos dois amigos chapados, algo essencial para qualquer bom filme de terror. Esses dão o tom homo-erótico mais pesado da estória, já que passam o tempo todo deitados na mesma cama de cueca, frustrando as intenções sexuais de Lovell quando ela os procura para satisfazer seus desejos. Abro aqui um parêntese para o risco de homens que se consideram heterossexuais assistirem a esse filme bêbados. As longas cenas de atores gays e musculosos de cueca, além da baixa qualidade das cenas de nudez feminina, combinadas com altas doses de cachaça barata, podem fazê-lo questionar sua sexualidade, nem que seja por apenas um momento. Esteja avisado.
Fora esses, nos resta o personagem principal: O olho assassino, o único que come as duas mulheres do filme. Uma bola gigante, com seus músculos oculares(?) fazendo o papel de seu tronco e pernas. Incrivelmente bem produzido, ficamos nos perguntando como conseguiram os mestres dos efeitos especiais fazerem algo tão impressionante. Se com um bola de isopor, ou com uma daquelas bolas usadas pelo Quico do Chaves. Certamente algo para a ocupar a mente por horas, ou segundos.
Mas não pense que “The Killer Eye” é apenas entretenimento barato para as massas, considerando que as massas são fracassados solitários procurando filmes softcore em canais de tv a cabo de quinta categoria no meio da madrugada. Não, o diretor faz questão de incluir forte crítica social. Quando o cientista louco sugere explodir uma bomba para matar o olho monstruoso, avisando que a bomba não acabaria somente com o monstro, mas com todo o quarteirão, os outros personagens parecem aceitar a morte de milhares de pessoas na boa, além de ignorarem o fato da bomba se parecer muito com um cronômetro de professor de educação física. Uma forte crítica a indiferença do homem contemporâneo em relação ao homem contemporâneo, e tal. Também deve haver alguma crítica ao fato do olho assassino ser dificilmente notado pelos personagens do filme. Demoram alguns minutos para perceberem que tem um olho de dois metros os espiando na janela, ou simplesmente parado atrás deles. Provavelmente alguma referência a Saramago, ou com certeza não.
O diretor certamente filmou as cenas seguindo a seqüência do roteiro, já que fica bem claro que nas cenas finais o dinheiro já tinha acabado, obrigando-o a usar na parte mais emocionante efeitos especiais que deixariam o Changeman preto vermelho de vergonha.
Resumindo, “The Killer Eye” é um ótimo filme. Quer dizer, não, não é. Mas pode ser interessante depois de uma garrafa de vodka de quatro reais, ou de um dia inteiro de uso intenso de sálvia potencializada. Essencial para estudantes de cinema interessados em fazer filmes muito ruins com muito pouco dinheiro. Também muito útil para aqueles finais de semana românticos em que você quer ocupar o tempo com qualquer coisa que não seja sexo, porque sua(seu) parceira(o) está com uma doença de pele nojenta, tipo erisipela, ou aids, e você não quer magoá-la(o) dizendo-a(o) que ela(ele) está muito asquerosa(o) para ser comida(o).

Nota: 0.3 de 100

Link para eMule:
The.Killer.Eye.(1999).FS.DVDRip.XviD-URIMOVIES.avi

Não esqueça que pirataria é crime, portanto só baixe o filme se você já tiver uma cópia original do vhs e/ou dvd de “The Killer Eye”em sua casa.