sexta-feira, 27 de junho de 2008

Simpatia pelo Tinhoso

- Sim, eu sei, eu fiz muitas coisas ruins na minha vida, mas nenhuma foi culpa minha.
- Não?
- Não.
- Mas como assim? Quer dizer que aquela vez em que você atirou sua filha pela janela só pra ver se ela quicava não foi culpa sua?
- Não, irmão, não foi. Foi culpa do canhostro.
- Do canhostro?
- Sim, do canhostro.
- Quer dizer que... Foi culpa do seu pau?
- Do meu pau? Não, cara, canhostro, o capeta. Essas coisas de encosto, entendeu?
- Ah, tá. É que eu achei que canhostro fosse uma variação de caralho.
- Não, não, eu quis dizer que foi culpa do diabo, mesmo.
- Entendi. Mas então nada do que você fez foi culpa sua?
- Pois é, nadinha. Eu também pensei que fosse tudo culpa minha, me torturei por muitos anos com esse fardo, mas que nada, era tudo culpa de encosto.
- Tudo mesmo, é?
- Tudo. Foi um pastor que me mostrou isso, se não fosse por ele estaria sofrendo até hoje. Sabia que até meu amor por cachaça é encosto? Nunca imaginei.
- E aquela vez em que você estuprou meu pai na véspera de natal? Encosto?
- Encosto.
- Até a parte de enfiar o peru nele?
- E não é isso que é o estupro?
- Não, quero dizer quando você enfiou o peru congelado dentro da bunda dele, e deixou lá até que o termômetro levantasse.
- Ah, sim, tinha esquecido. É, foi culpa do encosto, pode botar na conta dele também. Aliás, como tá o seu pai?
- Tá bem, tá bem, tá quase voltando a andar.
- Ah, que bom.
- E outro dia ele balbuciou um negócio que parecia ser mamãe.
- Que gracinha.
- Sim, estamos muitos felizes. A previsão é que daqui há uns cinco anos ele pare de usar fraldas. Coitadinho, depois de tudo que passou...
- Sim, é realmente horrível, eu sei como é a sensação.
- Sabe, é?
- Sei, eu também já tive um peru de natal enfiado na bunda.
- É mesmo, é? Quer dizer que você também já foi estuprado?
- Não, não. No meu caso não foi estupro.
- Ah... Mas enfim, o importante é que você agora está recuperado, não é mesmo? Faz tudo parte do passado, não é mesmo? Aliás, quando foi que você se converteu?
- Me converti?
- É, quando você se livrou dos encostos, do canhostro, e tal?
- Como assim, quando? Nunca!
- Nunca?
- Nunca! Se eu me livrar dessa porra em quem eu vou botar a culpa pelas merdas que eu faço? Na minha esquizofrenia? Quem ia acreditar numa idiotice dessas?
- É... Ninguém, eu acho.
- Pois então. Esse negócio de ter encosto foi a melhor descoberta que eu fiz na minha vida. Você não sabe o alívio que dá saber que eu sou inocente de todas as desgraças que eu causei. Fora as que eu ainda vou causar, não é mesmo?
- Sim, é verdade.
- É, meu amigo, não há nada como ter a consciência limpa...
- Sim, claro, até porque o importante é que você tentou, não é mesmo?
- Tentei o quê?
- Tentou melhorar, e tal.
- Não, eu não tentei porra nenhuma.
- Bom, mas... É que...
- É que o quê?
- Cara, eu só não quero que você me machuque, cara! Pelo amor de Deus, eu tenho mulher, filhos, um pai retardado pra criar!
- Que isso, cara, eu sou seu amigo, eu nunca te machucaria!
- Mas então... Pra que esse vergalhão enferrujado na sua mão?
- Ora, pra nada! É só um vergalhão enferrujado.
- Ah, é? Então, tá... Tchau, então.
- Valeu, um abraço pro seu pai!
- Obrigado...
- Que foi, não vai embora?
- Tem certeza que você não vai enfiar esse vergalhão na minha bunda quando eu me virar?
- Que isso, cara! Aí você já tá me ofendendo, por favor!
- Sim, sim, tem razão. Então... Até logo.
- Até.
- Ah, eu sabia, eu sabia!!!
- Fazer o que, né? Encosto.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O Dia Antes de Amanhã é Hoje

Não queria que aquela noite acabasse. Nunca se divertiu tanto, até porque nunca se divertia. Todas aquelas luzes, e as mulheres, e a música... Só a parte do álcool e das drogas ele não teve coragem de experimentar. As mulheres também não, mas já ficou contente de vê-las de perto. Parecia que pela primeira vez ele realmente vivia a vida. Muito mais divertido que assistir televisão e ir dormir, como ele fazia sempre. E como voltar pro dia a dia de sempre, agora que ele descobriu o que era viver? Impossível. Não podia simplesmente voltar ao seu trabalho no banco no dia seguinte, como se nada tivesse acontecido. Mas que outra saída ele tinha? O dia acabou, ele precisava dormir. Mas e se não dormisse? E se ele não deixasse a noite acabar? Então aquele dia duraria para sempre, para sempre seria o melhor dia da sua vida, o melhor aniversário de sua vida. Mas como fazer isso? Bem, primeiro ele não poderia dormir, isso era o básico, porque o dia só acaba na hora em que nós dormimos, e é só na hora em que acordamos que começa o outro, disso todo mundo sabe. Tá certo, não dormir, isso dava para fazer, só precisava de bastante café. Foi preparar o litro de café, e olhou para o relógio da cozinha. Já estava perto das cinco, daqui a pouco nasceria o sol, e se o sol nascesse já era, já seria outro dia, porque o dia não começa à meia noite como alguns dizem, mas só quando o sol nasce, disso todo mundo sabe. E não vendo o sol nascer ele não teria como saber se o sol realmente nasceu ou não, ou seja, em sua cabeça ainda seria noite, a mesma noite. Lógico. Colocou cobertores na frente das janelas, para que o sol não entrasse, mas isso não impediria a luz de entrar totalmente, não era o suficiente. Precisava pensar rápido, ter alguma grande idéia antes que nascesse o sol e chegasse o amanhã. E teve a grande idéia. Um pedaço de lona, era o que precisava. Um grande e grosso pedaço de lona, em que ele pudesse ficar e que não deixasse a luz passar, aí sim seria noite para sempre. Era só pegar de algum caminhão de feira que estava parado em sua rua para a feira de amanhã. Foi o que fez, pegou uma grande lona que cobria caixas de banana e voltou correndo para casa. Colocou o litro de café em uma garrafa térmica, foi para o quarto, com as janelas tampadas por cobertores, e fez uma pequena cabana com a lona de caminhão no meio do quarto, e entrou nela. Colocou um par de óculos escuros também, só por garantia. E lá ficou, em sua cápsula do tempo, certo de que o dia novo não chegaria, já que ele não o veria chegando, e assim ele logo poderia voltar para o único dia feliz da sua vida. Mas o tempo demora a passar nas cápsulas do tempo. O sono chegava e ele tinha que matá-lo com o café, e o café que entrava nele rapidamente queria sair por algum lugar. Ele não poderia sair de cápsula para ir ao banheiro, devia ter pensado nisso antes e levado um penico. O jeito foi fazer ali mesmo, no chão, nas calças. Será que já podia voltar para a sua noite, já era seguro? Decidiu arriscar que sim, saiu de sua cabana e realmente, a noite estava de volta, a noite que para ele ainda não havia ido embora. Agora era só voltar pra farra, voltar para onde tinha acabado de sair. Mas e esse cheiro? Não seria melhor tomar um banho? Não, não podia tomar um banho, quem toma banho e troca de roupa duas vezes na mesma noite? Seria muito antinatural, ele acabaria desconfiando que a noite não era mais a mesma, mas outra. Foi assim mesmo. Foi alegre e excitado para a boate de onde tinha acabado de sair, mas estranhamente o segurança não o queria deixar passar.
- Mas se eu acabei de sair!
- Acabou de sair? Como acabou de sair se ninguém entrou ainda?
- Tá achando que eu sou otário, amigo? Eu estava aí dentro agora mesmo, e isso aí ainda tava cheio!
- Escuta, senhor, eu não quero problemas com o senhor, agora dá licença que não fica bem pessoas mijadas na entrada.
- Ah, é? Bem, eu posso estar mijado, mas pelo menos eu, eu...
- Por favor, senhor!
- Pelo menos não sou um segurança com cara de cu, de cu!
E o segurança, que adorava quando aparecia alguém que dava motivo para apanhar, acertou um soco no atemporal homem, que deixou um belo hematoma em sua face esquerda. Mas não seria isso que estragaria a sua noite, o melhor aniversário de sua vida, agora só precisava achar um lugar novo para se divertir. Achou uma outra boate, essa com aparência de ser um pouco mais cara, e sofisticada, além de ter mais segurança. E dessa vez nem precisou dizer nada, foi só parar na entrada com a cara roxa e as calças mijadas para os seguranças virem para cima dele, com empurrões e alguns pontapés, um dos quais acertou sua perna esquerda e o deixou mancando bastante. Mas tudo bem, não seria isso que estragaria sua noite, havia outras maneiras de se divertir. Álcool, por exemplo, ainda não tinha experimentado isso.
- Ou! Ou! Que isso?
- Eu gostaria de experimentar álcool, por favor.
- Não, no meu bar não, vai pra outro lugar, aqui não.
- Mas é meu aniversário, por que não querem me deixar fazer nada? Só quero experimentar isso aí de álcool!
- Olha, amigo, vai lá pra fora que daqui a pouco eu te levo, tá?
E ele foi esperar do lado de fora. Não conseguia pensar em nada melhor pra fazer, mesmo. Esperou bastante, sua perna machucada começou a doer e ele foi obrigado a se sentar na calçada. O bar já estava vazio quando o gentil garçom trouxe uma dose de caninha da roça para que o aniversariante experimentasse. Ele gostou muito. As dores na sua perna e no rosto diminuíram bastante, e realmente as coisas ficavam bem mais divertidas com aquilo. Ficou com vontade de beber bem mais, e pediu ao garçom.
- Mais porra nenhuma, já estamos fechando.
- Fechando? Mas que horas são?
- Quase cinco.
Quase cinco! Precisava voltar para a cápsula do tempo rápido, antes que acabasse aquele mágico dia do seu aniversário. Felizmente chegou em casa a tempo, e enquanto estava em sua cápsula teve a idéia de levá-la para a rua quando voltasse para a sua noite de aniversário, assim não teria essa preocupação de voltar para casa correndo antes que o novo dia começasse. Foi o que fez, sua noite voltou e ele estacionou sua cápsula perto do bar em que ele havia bebido agora a pouco. Dessa vez nem tentou entrou em qualquer boate que fosse, foi direto para o bar beber. Não o deixaram entrar novamente. Então ele teve a idéia de comprar logo uma garrafa inteira de cachaça e beber do lado de fora, do lado de fora ninguém poderia o expulsar. Como aquilo era divertido, aquilo sim era divertido, que grande aniversário! Estava ficando difícil ficar sem dormir aquele tempo todo, e ele decidiu que cochilar um pouco na cápsula não fazia necessariamente com que o dia acabasse, essa era uma regra boba e que não fazia muito sentido. Em pouco tempo seu dinheiro acabou, mas não tinha problema, ele descobriu que era só estender a mão enquanto estava sentado na calçada que algumas pessoas o davam moedas sem pedir nada em troca. Talvez porque fosse o seu aniversário. E assim passa sua noite, e como durava sua noite, e como se divertia! Até que certo dia, por acidente e por bebedeira, saiu de sua cápsula mais cedo do que devia, e já era o dia seguinte. Merda, acabou sua noite de aniversário. Mas ele não tinha do que reclamar, foi de longe a mais divertida de sua vida. Agora o jeito era voltar pra casa, tomar um banho e ir pro trabalho. Coisa estranha, não conseguiu encaixar a chave na fechadura. Forçou, forçou, e ela não quis abrir de jeito nenhum. Foi quando uma mulher saiu de lá de dentro, e deu grito apavorado.
- AAAAIIIIIII, sai, sai daqui, eu vou chamar a polícia!
- Mas eu moro aqui, merda!
- Socorro, socorro, ladrão!
- Ladrão é a senhora, tá louca? Tá louca? Eu moro aqui, tá louca?
E dois homens, que até ontem eram seus vizinhos, o expulsaram do prédio, e dessa vez além dos socos e pontapés ainda levou ameaças de morte. Mas tudo bem, ele já estava pensando em se mudar daquela cabeça de porco para um lugar melhor, mesmo. Agora precisava ir trabalhar, já estava atrasado, e não é porque ontem foi seu aniversário que ele teria desculpa para chegar atrasado. E qual não foi sua surpresa quando percebeu que o banco em que trabalhava não era mais um banco, além de todas as lojas em volta, tudo havia sido destruído para a construção de um shopping. Ficou surpreso em como conseguiram construir um troço tão grande de um dia pro outro, mas não esquentou com isso. Já que sua agência não existia mais ele podia tirar o dia de folga, pelo menos até que o transferissem para uma agência nova. Bem, já que não tinha trabalho, o melhor era voltar para a diversão. Mas dessa vez, com a cachaça e sua cápsula do tempo, estava disposto a fazer a noite durar para sempre, apesar de não ser mais seu aniversário.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Cada Blog Tem o Post Pago que Merece

de comercial@bebecalminho.com.br
para refluxogastrico@gmail.com
data 12 de junho de 2008 16:48
assunto REFLUXO (RGE)

Boa tarde,

Vimos informar-lhes que fabricamos e comercializamos a cadeirinha BebêCalminho.
Trata-se de uma cadeirinha que ajuda no tratamento do refluxo gástrico, permitindo que o bebê fique em uma posição mais confortável (45º).
Gostaríamos, pois, que divulgassem o produto, para as mamães que têm enfretado este tipo de problema com os seus bebês.
Visitem o nosso site: www.bebecalminho.com.br, lá encontrarão tudo sobre o distúrbio RGE, alem vários depoimentos de sucesso com a utilização da cadeirinha BebêCalminho.
Grato,
EQUIPE DO BEBECALMINHO
31 33097077
comercial@bebecalminho.com.br


Pronto, agora que já dei a dica, é só esperar me mandarem uma cadeirinha BebêCalminho de brinde, não é assim que funciona?

Piedade, Senhor. Piedade.