segunda-feira, 21 de maio de 2007

As Aventuras de Susana, a Atriz Pornô Recém Aposentada

Episódio de hoje: Na fila do banco

- É, com licença, posso fazer uma pergunta?

- Sim, pode.

- Você é atriz pornô, não é?

- Bem, eu... É, você me pegou, sou sim. Quer dizer, era, agora sou de Jesus.

- Ah, bem que eu desconfiei...

- Ah, é? Me reconheceu de algum filme?

- Não, não.

- Não?

- Não.

- Ué, então como é que você desconfiou? Eu tenho cara de puta, por acaso? Hein?!

- Não, senhora, não é isso.

- Então por que você desconfiou? Hein?! Fala!

- Bem, eu fiquei com vergonha de dizer antes, mas já faz vinte minutos que a senhora está enfiando um vibrador no meu rabo.

- Puxa vida, é verdade... Desculpe, é a força do hábito. Desculpe.

- Sem problemas, estamos aqui pra isso. Só mais uma coisa, será que a senhora teria um band-aid na bolsa?

- Deixa ver, deixa ver... Não, infelizmente não tenho.

- Ah, tudo bem, não era para nada importante, era só para tentar estancar o sangue que está saindo do meu cu. Obrigado mesmo assim, desculpe o incômodo, cuidado para não pisar na poça de sangue, e tenha uma boa tarde.

- Obrigada! Rapaz educado...

- AAAAAAAAIIIIIIIIIIII!!!

- Desculpa, desculpa, força do hábito, força do hábito...

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Sim, Te Perdôo

- Padre, preciso me confessar.

- Pó falar, filho, tô ouvindo!

- Eu... Ai meu Deus, é muito grave, padre, é muito grave!

- É muito grave?

- É muito grave! Não sei se tenho coragem de confessar algo tão horrível!

- Filho?

- Sim, padre?

- Você tá numa igreja, cara! Pode se confessar à vontade, cara!

- Obrigado padre, obrigado...

- Vai lá, pode dizer. Vai sem medo.

- Bem, eu... Eu... Eu matei minha mulher, padre, eu matei minha mulher!

- Matou, é?

- Matei, padre, matei! Puta que o pariu, matei!

- É, isso é grave, isso é grave... Matou como?

- Com um tiro, padre, um tiro!

- Na cabeça?

- Por que, na cabeça a pessoa sofre menos?

- Creio que sim, morrendo na hora.

- Ih, então ela sofreu pra caralho!

- Tudo bem, tudo bem... Acontece, cara, acontece... Mas me diga uma coisa, você está arrependido?

- Acho que sim... Mas não tenho certeza, tenho que esperar passar a bebedeira. Pode ser só azia.

- Se você tá arrependido, tá beleza, cara! Reza dez pais-nossos, cinco ave-marias, e vai tranqüilo, filho!

- Mas é só isso?

- Claro, filho, claro! A igreja é um lugar de paz, amor, compreensão! Eu não tô aqui pra julgar ninguém, cara! E digo mais, por você ser um cara legal, vou deixar por nove pais-nossos e três ave-marias.

- Puxa, padre, que maravilha! Muito obrigado, o senhor não sabe o peso que saiu das minhas costas! Muito obrigado, padre, muito obrigado!

- Vai em paz, filho, vai em paz! Gente boa pra caralho... Próximo!

- Bom dia, padre.

- Bom dia, filha.

- Vim fazer um pedido.

- Vamos lá, estamos aqui pra isso!

- Puxa, já faz tempo que eu não venho à igreja, acho que desde quando eu me divorciei, e...

- Peraí, peraí... Você é divorciada?

- Sim, padre, infelizmente eu e meu ex-marido...

- Você é divorciada?

- Sim, padre.

- E você não sabe que isso é pecado, vagabunda? Não sabe que isso é pecado?

- Bem... Sim, padre, mas é que...

- Sai da minha igreja.

- Como, padre?

- Sai da minha igreja, pecadora dos infernos! Sai da minha igreja!

- Mas, por Deus, eu só queria...

- SAI DA MINHA IGREJA, PROSTITUTA!! VOCÊ ME DÁ NOJO! NOJO!!!

- Ae, mes Deuch!

- PROSTITUTA! PROSTITUTA!

E ela saiu da igreja chorando desesperadamente sem conseguir pronunciar as palavras. E pensar que ela só foi lá pedir um pouco de água benta emprestada pra cozinhar um miojo.

Moral da história: Não se divorcie. Mate.


Este texto é um oferecimento de:

Igreja Católica: O Jesus é nosso!

Golden Gun Matadores de Aluguel ltda.: Há doze anos colocando um sorriso na boca de seu amante.

domingo, 13 de maio de 2007

O Virtuoso

- Você curte rock, cara?

- Humpf... “Curto rock” sim, cara. Metal progressivo, na verdade.

- Ah, manero, eu reparei pelo cabelo... E você toca guitarra, cara?

- É, eu “toco guitarra” sim, cara. Vinte e oito notas por segundo, para ser mais exato.

- E que tipo de som você toca?

- Som?

- Sim, som.

- Rá! Eu não “toco som”, cara, eu tenho técnica! Som é para amadores, como você.

- Sei... Mas então o que você toca?

- Vinte e oito notas por segundo, merda!

- Ah, sim, claro... Bem, então mostre a sua técnica, toque alguma coisa.

- Certo.

- OK.

- Vamos lá.

- Pronto.

- Pronto?

- Pronto.

- Pronto o que?

- Pronto, já toquei.

- Mas eu não ouvi nada!

- Exatamente. Rápido, não?

- Ah, vai pra puta que o pariu! Pega essa guitarra e enfia no cu!

- Se ela não fosse tão grande...

Foi internado às pressas no dia seguinte. Um cavaquinho é menor que uma guitarra, mas ainda assim é grande.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Curta e Fina

- Tudo bem, querida, eu sei que o meu pau é fino... Mas usar ele pra palitar os dentes no meio de um boquete já é sacanagem!

sábado, 5 de maio de 2007

De Cima é Mais Gostoso

- Então, que tal minha cobertura, Cardoso?

- Lindíssima, lindíssima, Albuquerque! E que vista, meu Deus, que vista!

- Sim, é uma benção. Só tem uma coisa que me incomoda...

- Ah, desculpe, quer que eu vista as calças?

- Não, não é isso, você sabe que isso nunca incomodou ninguém.

- Então o que é, Albuquerque?

- É essa pobreza, sabe? Às vezes me incomoda ser tão rico em um país tão pobre, sabe?

- Ah, sim, isso é mesmo terrível...

- Veja, veja essa paisagem! Tenho uma praia linda à minha frente, gente bonita à minha volta, mas se eu olho para o lado tem essa favela horrível estragando a vista! Diga, Cardoso, o que adianta pagar dez milhões por uma cobertura e ser vizinho de favelados?

- Sim, é uma tragédia...

- Por isso resolvi começar a fazer minha parte, e como sei que você é um grande intelectual, quero que você me ajude. Acho que votar no PSDB de quatro em quatro anos já não é mais suficiente. Chegou a hora de botar a mão na massa, Cardoso!

- Bem, isso é ótimo, mas o que você pretende fazer?

- Doar cinco milhões pelo fim dessa favela! E a reforma da casa em Miami que espere mais uns três meses.

- Ah, Albuquerque, eu sempre soube que você tinha um coração de ouro e... Peraí, pelo fim da favela?

- Sim, pelo fim da favela!

- Como assim, pelo fim da favela?

- É, eu quero que essa porra suma da minha vista, não agüento mais olhar pro lado e dar de cara com essa miséria toda.

- Sim, entendo... Mas o que você pretende fazer para que ela acabe?

- Porra, você não tava me ouvindo? Vou doar cinco milhões, merda!

- Pra quem?

- Pra que acabem com essa favela, caralho! Meu Deus, que dificuldade...

- Mas, Albuquerque, quem vai receber esse dinheiro?

- Ah, sei lá, pra quem a gente dá dinheiro pra ajudar os pobres? Pro Teleton, né? Bom, que seja, o importante é que essa merda suma!

- Mas Albuquerque, não é tão simples assim, para onde iriam as milhares de famílias que moram lá?

- Ah, não sei, pra algum lugar mais longe, mas não de frente pra praia! Porra, eu pago dez milhões por uma cobertura, e tenho que ser vizinho desses que não pagaram nada?! Será que ninguém percebe como isso é injusto?!

- Mas Albuquerque...

- Não, chega de mas, chega de mas! Cansei de viver nessa injustiça toda, merda! Alguém tem que fazer alguma coisa, porra! Tô na maior boa vontade e altruísmo, querendo tirar cinco milhões do meu próprio bolso pra acabar com esse problema, e só o que você faz é botar obstáculo?! Eu quero fazer do meu país um lugar melhor! Afinal, você vai ajudar ou não, caralho?

- Está bem, escuta... Vamos fazer o seguinte... Me dá quinhentas pratas e eu mando construir um muro que tape a vista da favela.

- Fechado. Champagne?

- Não, obrigado, prefiro minha cocaína pura.