segunda-feira, 26 de novembro de 2007

A Dor da Culpa

- Oi, filho.

- Oi, pai.

- Que carinha é essa? Algum problema?

- Hein? Não, pai, não. Nada de mais.

- Filho, eu sou seu pai, e sei quando tem alguma coisa errada com você. Abre o coraçãozinho, vai.

- Bem, é que... Outro dia acordei com uma puta morta do meu lado.

- Uma puta morta, é?

- Sim, pai, foi horrível!

- Ora, filho, isso é normal! Você não sabe que as putas são cheias de doenças, micróbios e tudo mais? Então, elas morrem toda hora.

- Eu sei pai, mas o problema é que... Eu acho que fui eu que matei!

- Foi, é?

- Foi, pai, foi! Eu não lembro direito como aconteceu, tava muito louco naquele dia, mas acordei segurando uma arma, e ela não acordou com três tiros na cabeça!

- E quem disse que foi você quem matou? Quer dizer, alguém pode ter atirado e colocado a arma na sua mão enquanto você dormia.

- Mas era uma semi-automática igualzinha a que você me deu de natal!

- Ora, existem muitas semi-automáticas no mundo, e...

- Mas essa estava com uma etiqueta escrita de papai para Gabriel!

- Tava, é?

- Tava!

- É, então foi você mesmo. Mas e daí?

- E daí? E daí? E daí que eu matei uma mulher, a culpa está me matando! Eu não sei como vou conseguir viver com isso!

- Ah, garotinho ingênuo... Senta aqui que papai vai te ensinar uma coisa. Culpa só existe quando é dos outros. Quando é com a gente não é culpa, é acidente. Entendeu?

- Não!

- Um exemplo: se alguém entrasse no seu quarto, pegasse sua arma e desse três tiros na puta do seu lado, ele seria culpado, certo? Você ficaria revoltado, daria entrevista pro Datena, e quando capturassem o infeliz exigiria pena de morte.

- Mas fui eu que matei!

- Exatamente. Foi você que matou, portanto foi acidente. Você tava limpando a arma e ela disparou, acidente!

- Mas foram três tiros!

- Bem, você queria deixar ela bem limpa, acidente!

- Acidente, é?

- Acidente!

- Mas eu ainda sinto um pesinho na consciência...

- É só matar ela com álcool!

- É... Tem razão pai, tem razão, foi acidente! Obrigado pai, você é o maior!

- Que isso, filho, estamos aqui pra isso.

- Vou correndo contar pra mamãe!

- Er, filho, acho melhor não...

- Mamãe, o papai falou que culpa só existe quando é... Mamãe?! Aaaaaiiiiii! A mamãe morreu! Esfaquearam a mamãe! Pai, o que aconteceu?!

- É que... Foi acidente!

- Acidente?!

- Acidente!

- Acidente, é?

- É...

- Sei... Hahahahaha, ai papai, você não tem jeito mesmo!

- Hehe, eu sei, eu sei... Mas e aí, partiu Ice?

- Partiu! Mas e essa sujeira toda de sangue na cozinha?

- Ah, deixa aí que sua mãe limpa!

- Tá certo, a minha mãe... Ei!... Hahahahaha!

- Uhuhuhuhuhu!

Oferecimento Vodkas Kovak: Há 60 anos convencendo culpados de sua inocência

Um comentário:

Tácio disse...

Hahhaah, Kovak é foda, por isso eu prefiro Natasha.