quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Da Série Profissões Alternativas: O Gerador de Empregos

- Com licença, senhor, não quero me intrometer, mas... O quê o senhor está fazendo?

- Tô espalhando lixo pela praça,meu filho. Por que?

- Não, por nada, é só que... Por que?

- Bem... Você não é daqui de Mocorongópolis, é?

- Não, estou apenas visitando.

- Então acho que posso te contar... É que hoje li no jornal que a prefeitura vai diminuir o número de garis da cidade, já que ela tá sempre tão limpa. Então eu passei no lixão, carreguei meu caminhão, e agora tô espalhando tudo aqui pela praça.

- Ah, entendi... Com a cidade toda suja, eles não vão poder demitir os garis, não é isso?

- Isso mesmo. Pode ser até que contratem mais.

- Ah, que bom... Mas por que o senhor está fazendo isso?

- Por que é isso que eu faço. Eu crio empregos na cidade.

- É?

- É. Sabe, Mocorongópolis era uma cidade com muitos desempregados, mais de 20% da população. Foi quando eu decidi que devia fazer alguma coisa.

- E o que o senhor fez?

- Comecei botando fogo nas casas da cidade. O número de bombeiros daqui era muito pequeno, e, graças aos meus incêndios freqüentes, tiveram que construir dois batalhões novos. Mais de cem empregos gerados, rapaz, uma beleza.

- Ah, que bom. Mas e as casas das pessoas? Não ficaram destruídas pelos incêndios?

- Claro, isso que foi bom.

- Isso foi bom?!

- Claro, rapaz, tiveram que contratar um monte de pedreiro pra reconstruir as casas, foi mais emprego aí que com os bombeiros!

- É verdade, não tinha pensado nisso... Mas ninguém se machucou nos incêndios?

- Bom, teve uma ou outra criança morta, e uns velhos quando eu botei fogo no asilo... Sabe como é, velho pra correr de fogo é uma desgraça, né? Mas enfim, não se pode ter tudo, não é mesmo?

- Certamente, senhor.

- Depois eu reparei que a cidade tinha muito pouca escola e professor. Então comecei a vender camisinha furada e anticoncepcional de farinha na minha farmácia, e não deu outra. Nasceu criança pra cacete, e tiveram que construir três escolas novas pros moleques. Muito emprego de professor, servente, inspetor... Até semi-analfabeto tá dando aula, rapaz, uma beleza.

- Ô, que maravilha. E o quê mais o senhor fez?

- Ah, muitas coisas... Já amarrei uma âncora na traseira do meu caminhão, pra contratarem gente pra fechar os buracos das ruas... Por dois anos joguei vírus na comida dos restaurantes, pra abrirem mais hospitais... Já projetei hologramas de fantasmas, igual os do scooby-doo, pra que as pessoas ficassem com medo de assombração, e assim foram construídas várias igrejas... Enfim, já fiz de tudo um pouco, e graças a Deus hoje a taxa de desemprego da cidade tá perto de zero.

- Mas que maravilha! E o senhor ganha alguma coisa com isso?

- Não, meu filho, nada. Faço pelo puro prazer de ajudar ao próximo.

- Pois saiba que o senhor é um santo, um verdadeiro santo!

- Obrigado, meu filho, obrigado... Mas infelizmente nem todos pensam como o senhor, por isso ninguém de Mocorongópolis pode saber que sou que faço essas coisas, ou acabaria preso.

- Não se preocupe, senhor, seu segredo está muito bem guardado comigo.

- Obrigado, meu filho, obrigado.

- Um verdadeiro herói nacional! Só mais uma coisa: por que o senhor está carregando essa arma?

- Arma? Que arma?

- Essa pistola que está na sua mão.

- Ah, sim, essa arma. É que hoje também li no jornal que querem diminuir o número de policiais, já que os crimes na cidade diminuíram muito com o baixo desemprego. Então decidi que estava na hora de usar minha velha pistola em alguém...

- Ai meu Deus, o senhor vai me matar?!

- Ora, mas o senhor me insulta pensando uma coisa dessas, é claro que não!

- Ai, Deus é pai...

- Só vou comer seu cu contra a sua vontade.

- Ah, sim... Bem, melhor isso do que morrer, não é mesmo?

- É o que dizem.

- Mas... E se eu der o cu para o senhor por iniciativa própria? Aí não seria crime, seria?

- Bem, eu... É... Eu acho que não...

- É... Acho que peguei o senhor nessa, hein?

- É, rapaz, me pegou de jeito. Me deixou numa sinuca desgraçada, hein? Hehehe...

- Hahaha! Pode dizer: essa foi boa, hein? Hahaha, e o senhor pensando que...

PÁ!

6 comentários:

Tácio disse...

Hahahahaha, o desfecho foi foda.

Quem seria tão doente de pensar num final assim?

Tácio disse...

Vou mandar te internar, espera só...

Anônimo disse...

uhauhahuauhauha,

muito bom! \o/

Anônimo disse...

Essa história mudou a visão que tenho do mundo. Bush agora é meu ídalo, pois destruindo o Iraque, cria milhares de novos empregos na construção civil! Isso é lindo!

fudidamente engraçado.

LP disse...

Obrigado anônimo, mas qual dos dois é o verdadeiro anônimo? Ou os dois são o mesmo bom e velho anônimo de sempre?
Fiquei confuso agora.

An"onimo Verdadeiro disse...

PA! Puta final!