segunda-feira, 30 de abril de 2007

Sonhar Sai Caro


Gente, vocês tem sonhos? Todos temos sonhos, e, sabe?, o tio Paulo também tem sonhos. Tio Paulo sonha com sucesso, dinheiro, mansões, iates, viagens pelo leste europeu... Ih, caralho, já realizei todos os meus sonhos! Hahaha, que foda, realizei todos os meus sonhos! Porra, Paulinho, tu é foda mesmo, tu é foda... Mas a história de hoje não é sobre mim, e sim sobre o Frank.


Frank era um homem de sucesso. Tinha uma família que o amava, um bom emprego em uma multinacional, e vivia uma vida segura e tranqüila. Mas Frank tinha um sonho, um sonho que não saía de sua cabeça. Seu sonho era ter um fast food de miojo. Uma rede de fast food que só servisse miojo. Para ele era uma idéia genial. Mas só para ele. Quando tentava contar seu sonho para amigos e familiares, acabava sempre como motivo de chacotas.

- Imagina, cara, ia ter todos os sabores! A pessoa poderia escolher o tempero e o acompanhamento! Miojo sabor carne com salsicha, miojo sabor galinha caipira com milho, sabor bacon com ervilha... Teria tudo, cara!

- Hahahaha, puta que o pariu Frank, essa é a pior idéia que eu já ouvi na vida! Pra que pagar pra comer no fast food uma coisa que eu faço em casa em três minutos?

- Porque... Ah, esquece, você não entenderia...

E com o tempo Frank foi esquecendo do seu grande sonho... Estava casado, com filhos, tinha um bom emprego, talvez fosse melhor mesmo desistir dessa idéia maluca. Mas isso mudou quando, certo dia, Frank viu na televisão um trecho de uma entrevista de Ayrton Senna, seu grande ídolo, apesar de nem saber dirigir.

“Se você tem um sonho, não desista. Corra atrás do seu sonho, vá com fé, perseverança, que seu sonho vai se realizar.”

Essas palavras tocaram fundo no coraçãozinho ingênuo de Frank.

- Vou fazer o que o homem de capacete falou!

No dia seguinte, pediu demissão. Voltou para casa e foi correndo contar à sua mulher.

- Adivinha!

- O que?

- Pedi demissão pra abrir a Casa do Miojo, e finalmente realizar meu grande sonho!

- O QUÊ?! O QUÊ?! O QUÊ?! O QUÊ?! VOCÊ TÁ LOUCO?! TÁ LOUCO?! TÁ LOUCO?!

- Só se for louco de alegria e esperança, meu amor!

- Mas, por Deus, eu achei que você tinha esquecido essa idéia retardada! O que te fez voltar com isso?

- Foi o homem de capacete.

- Quem?

- O homem de capacete.

- O homem de capacete?

- É, o homem de capacete da tv. Ele falou que eu preciso seguir meu grande sonho, e eu acredito no homem de capacete da tv.

- Ah, tá, o homem de capacete... Da tv, né? É... Olha só... É... Benzinho... Eu vou pegar as crianças, algumas roupas, o carro, e vou dar uma voltinha e já volto, tá bom?

- Tudo bem, querida!

- Ai, meu Deus, meu marido é doente da cabeça...

Ela mentiu: não voltou e não deu mais notícia. Mas Frank não achou ruim, com o sumiço da família ele teve a liberdade de vender a casa para investir tudo em seu sonho. Aliás, não foi só a casa que ele vendeu: vendeu os móveis, os aparelhos eletrônicos, a bunda, sua coleção de LPs do Glenn Miller, e até o hamster da família, Leon Trotsky. Mas aquilo não era nada perto da emoção de ver seu sonho finalmente realizado. Alugou uma loja no shopping mais caro da cidade, e lá montou a primeira Casa do Miojo do Brasil. Pensou em tudo: criou um mascote, o Miojento, inventou o Miojo Feliz para as crianças, com um objeto surpresa no meio do macarrão, além de uma decoração totalmente inspirada na aparência de um miojo cozido. Os sabores e acompanhamentos eram mais de cem: lingüiça, cebola, aliche, lombinho canadense, banana, nuttela... Estava tudo pronto, tudo como ele sempre sonhou e, como o homem de capacete falou, nada poderia dar errado!

Faliu dois meses depois, e foi processado pelos pais de uma criança que morreu engasgada com o brinde do Miojo Feliz. O dinheiro que sobrou só foi suficiente para comprar de volta Leon Trotsky, o hamster da família. E os dois foram morar embaixo da ponte, Frank e Leon Trotsky. Deprimido, Frank resolveu se matar. Mas nem arma tinha, e o objeto mais cortante que achou foi uma faca de cortar manteiga. Ficou meia hora tentando acertar o coração, mas eventualmente conseguiu, e morreu. Dois dias depois, Leon Trotsky seguiria seu dono, afogado no próprio vômito depois de um consumo excessivo de álcool e pílulas para dormir.


Moral da história: Frank era um homem burro. E pessoas burras tem sonhos idiotas. E pessoas burras que tentam seguir sonhos idiotas cedo ou tarde quebram a cara. E você, meu leitor, é uma pessoa burra. Se não fosse, não seria meu leitor. Por isso, desista dos seus sonhos. Eles não vão dar certo, são todos idiotas. E se o fato de não realizar seus sonhos começar a incomodar seu cérebro, mate-o com álcool. Ou com tv, ou com Orkut, ou com meus livros, não importa! O importante é que você desista já dos seus sonhos. E nunca, (NUNCA!) escute conselhos de homens de capacete.

Esse é o Titio Paulinho, seu conselheiro espiritual favorito, direto de seu castelo em Liechtenstein, dizendo: até a próxima, perdedores!

5 comentários:

Raphael (Pateta) disse...

Hahaha! Muito supimpa o blog!
Mais um blog inútil e sem escrúpulos na seleta lista de favoritos do LIXO³.

Anônimo disse...

MUITO BOM!

São Pedro disse...

Tu tem problema..
E eu tenho mais problema ainda que venho todos os dias aqui ver se o blog foi atualizado.

LP disse...

É, cara, você tem problema. Vai no blog do Paulo Coelho e pede ajuda, ou manda um email pro bispo Macedo, que isso deve ser encosto.

Tácio disse...

Ou:
"Receba mensagens do Bispo
no seu celular."

http://www.bispomacedo.com.br/mens.jsp

Inovador...só no site do bispo macedo.