domingo, 29 de outubro de 2006

Dudu Cearense

- Sra. Johnson?

- Sim, doutor, como está meu marido?

- Bem, Sra. Johnson, receio que as notícias não são boas.

- Ai meu Deus, ai meu Deus, eu sabia, eu sabia! Será que é muito grave? Ai, Jesus, eu não sei o que vai ser de mim sem o Armando, eu não posso viver sem ele, meu Deus, não posso! Por favor, doutor, ele não vai morrer, vai? Diga que não, doutor, por favor, diga que não! O que é doutor, diga.

- Bem, Sra. Johnson, eu vou ser breve, pois preciso atender outros pacientes. O seu mari...

- Espere, espere, o que disse? Que precisa atender o Dudu Cearense?

- O que? Não, haha, disse que preciso atender outros pacientes, hahaha!

- Ah, outros pacientes...Hahahahaha, e eu pensei que você tinha dito que ia atender o Dudu Cearense,hahahahaha!

- Hahaha, mas de onde a senhora tirou Dudu Cearense? Até parece que ele estaria nessa merda de hospital, hahahaha!

- Hahahaha, e o pior é que eu nem sei quem é Dudu Cearense!

- É um jogador de futebol que joga na Rússia.

- Na Rússia! E eu nem gosto de futebol! Hahahaha!

- Hahaha, bom, mas voltando ao seu marido, ele...

- Como eu fui confundir paciente com Dudu Cearense, meu Deus! Hahaha, não tem nada a ver o cu com as calças, hahaha!

- Hahahaha, ai meu Deus, muito boa essa, hahaha...

- Hahahaha...

- Hahaha...Ai, ai...Bom, agora sim. O seu marido vai morrer.

- Vai?

- Vai.

- Ah, foda-se, ele também não é nenhum Dudu Cearense, hahahahaha!!!

- Hahahahahahaha!

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

É ele mesmo!

- Não, não acredito...

- Ai meu Deus...

- Não, não pode ser, você é quem eu estou pensando?

- Sim, sim, sou eu...

- AAAAAAAAHHHHH, é ele, é ele, não acredito, é ele mesmo!

- Calma, calma, hehehe...

- Ai, não acredito, eu sou sua maior fã, completamente apaixonada!

- Hehe, que isso, assim eu fico envergonhado...

- Mas é verdade, eu sou sua maior fã! Você vai ter que me dar um autógrafo.

- Claro, tem uma caneta?

- Tenho sim. Nossa, se você soubesse como eu esperei por esse momento!

- É mesmo?

- Nossa, meu maior sonho era te conhecer! Mas as pessoas devem te dizer isso o tempo todo, né?

- É, realmente, a gente acaba se acostumando.

- Ai, nem acredito! Sabe, eu sempre sonho com você!

- É mesmo? E como são esses sonhos?

- Ah, eu tenho vergonha, riririri...

- Que é isso, pode se abrir comigo.

- Bom, sabe, normalmente os sonhos são assim, meio eróticos...

- Eróticos? Eróticos como?

- Eróticos, assim, eu e você...

- Eu e você? E mais ninguém?

- É...Eu e você...

- E...Você tem sempre esses sonhos?

- Sempre...Toda noite...

- Puxa, fico lisonjeado...

- Sabe, eu estou hospedada no quarto 314, será que a gente não podia dar uma passada lá e...Sabe?

- Sei...Realizar o seu sonho?

- É..riririri...

- Pois seria um prazer.

- Ai,meu Deus, nem acredito! Mas antes você vai me dar aquele autógrafo!

- Claro, claro, qual é o seu nome?

- Dalila.

- “Para Dalila, minha fã número um, um grande beijo do Otaviano Augusto”.

- Peraí, peraí...Otaviano Augusto?

- Sim, Otaviano Augusto.

- Que isso, seu nome de batismo? Não, não, assina com o nome artístico, por favor.

- Não, Otaviano Augusto é meu nome artístico mesmo.

- Mas...Você não é o Carlos Kodak, o ator da novela das oito?

- Não...

- O que faz o filho da Glorinha? Não?

- Não, não, não sou eu...

- Mas, gente, é a cara dele!

- É, dizem que nós somos parecidos, realmente.

- Meu Deus... E eu estava esse tempo todo achando que você era o Carlos Kodak, acredita?

- Que coisa, não?

- Pois é...

- É...

- Mas...Você é famoso?

- Sim, claro, eu fui um dos apresentadores do programa do Hugo. Lembra do Hugo?

- Hugo?

- É, o Hugo, aquele programa em que as pessoas ligavam e jogavam pelo telefone...Lembra?

- Ah, sim, o Hugo.

- Pois então, eu fui um dos apresentadores do Hugo.

- Ah, ta...

- É...

- Então, só confirmando, você NÃO É o Carlos Kodak?

- Não, realmente não sou eu, eu sou o Otaviano Augusto.

- Otaviano Augusto?

- Esse mesmo.

- Sei...

- Pois é...

- É...

- É...

- ...

- ...

- Poderia devolver minha caneta?

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Para eso estamos

- Garçom, venha aqui!

- Pois não, senhor?

- Veja, veja. Tem anchovas na minha pizza. An-cho-vas. E eu fui muito claro ao pedir minha pizza sem anchovas, não fui?

- Mas senhor, isso não são anchovas.

- Não?

- Não, senhor.

- Ora, o que são, então?

- Baratas, senhor.

- Puxa vida, é verdade, são mesmo baratas... Me perdoe, achei que fossem anchovas.

- Estamos aqui pra isso, senhor.

domingo, 22 de outubro de 2006

Querido, vou ao mercado

- Querido, estou saindo, vou ao mercado, quer que eu compre alguma coisa?

- O q, o que disse...?

- Vou ao mercado, tô precisando comprar uns ovos, minha mãe vem aí e...

- Vo-você está me deixando? É isso que estou ouvindo, Mariana?

- O quê?

- Mas por quê, meu Deus, por quê?

- Você tá louco? Tá com encosto? Eu vou ao mercado!Mer-ca-do!

- Ah, claro, vá, vá, vagabunda ingrata, mas diga uma coisa: o que serão das crianças?Hein?

- Que crianças, porra, que crianças?

- Tudo bem, pode ir, eu fico com elas, elas sempre gostaram mais de mim.

- Qual é o seu problema, Cláudio? Andou cheirando a lata de tiner de novo?

- Claro que vou deixar você ir, afinal, estamos numa república, mas não sem me dizer uma coisa antes: onde foi que eu errei Mariana, onde foi que eu errei?

- Em lugar nenhum, merda! Puta que o pariu, Cláudio, falta meia hora pro mercado fechar e eu preciso comprar dois ovos, entendeu? Minha mãe...

- É o meu nariz, não é? Ele é muito grande, não é? Você fica com vontade de vomitar quando olha pra ele, não é? Pois saiba que eu não tenho culpa de ter nascido assim, Mariana, eu não tenho culpa!

- Querido, me ouve um minutinho, tá? Foda-se o seu nariz, eu não me importo com o seu nariz, eu só quero ir ao mercado comprar duas merdas de ovos!

- Já sei, são meus furúnculos... Meus furúnculos nojentos...Pensa que não percebo como você se enoja por causa dos meus furúnculos? Aqueles furúnculos nojentos cheios de pus se esfregando contra sua pele...

- Querido...Meu amor... Pelo amor do caralho... Eu não estou te deixando... Eu não tenho nojo dos seus furúnculos... Acho até um bom passatempo ficar espremendo eles nas tardes de domingo... Eu só quero dar uma passadinha no mercado para comprar uns ovos, tá bom, mozinho?

- Eu sabia, eu sabia, só podia ser isso...Estou muito gordo pra você, não é isso? Pois saiba que eu estou me matando tentando emagrecer pra você! Se eu passei oito horas por dia dos últimos cinco anos trancado dentro de uma academia foi pra ficar mais bonito pra você, Mariana!

- Mas eu só preciso de dois ovos, porra, eu só preciso de dois ovos!!!

- Pois você não vai sair desta casa enquanto não disser a verdade!

- Eu já disse, eu só quero...

- A verdade!!!

- Mas eu...

- A VERDADE!!!

- Tá bom, porra, tá bom, é o seu pau!!!

- Meu pau?

- É, teu pau, teu caralho, tua trolha!!!

- O que tem meu pau?

- Não tem, esse que é o problema! Parece que colocaram uma pinta onde seu pau deveria estar! Você tem um pau de merda, um pau minúsculo, ridículo, parece que toda noite eu sou comida por um bebê de sete meses, porra, DE SETE MESES!!!

- Mas eu achei que...

- Eu não agüento mais! Toda vez que você tira a calça eu me sinto uma pediatra examinando um neném com fimose! Eu não sei se sinto pena ou ódio de você, não sei se me mato, se te mato, ou se te mato e me suicido depois! Eu tô ficando louca!!! LOUCAAAAAAAAA!!! AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH!!!

- Então é meu pau, é?

- É, seu pau...

- Ah, é?

- É...

- Ah, tá...

- Bom, vou ao mercado, quer que eu compre alguma coisa?

- Açúcar. Há dois dias que eu tô tomando café com adoçante. Odeio café com adoçante.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Outra do General







Puxa vida, esse General não tem jeito mesmo...Qual será a próxima que ele vai aprontar?
Fiquem ligados!!!

terça-feira, 17 de outubro de 2006

O jovem monge búlgaro e o velho mestre que vive a 50 anos sozinho no alto da montanha

Certa vez, um jovem monge búlgaro perguntou a seu mestre:

- Mestre, tenho uma pergunta que precisa ser respondida, já não suporto mais viver com ela.

- Pois diga, meu filho, o que tanto te aflige?

- Qual é o sentido da vida?

- Esta é uma pergunta muito difícil, e creio que apenas um homem possui a resposta.

- Quem, mestre?

- O velho mestre que vive a 50 anos sozinho no alto da montanha.

E foi-se o jovem monge búlgaro à procura do velho mestre que vive a 50 anos sozinho no alto da montanha. Foram dias e noites de constante caminhada, enfrentando chuva, neve, granizo, escalando morros e montanhas, e sobrevivendo apenas com seu carregamento de miojo, salsicha enlatada e ervilhas congeladas. Após dois meses de sacrifícios, finalmente o jovem monge encontra o velho mestre que vive a 50 anos sozinho no alto da montanha. Exausto, e ao mesmo tempo esperançoso de ter finalmente a resposta da pergunta que o perturbou por tanto tempo, o jovem monge pergunta ao velho mestre que vive a 50 anos sozinho no alto da montanha:

- Velho mestre que vive a 50 anos sozinho no alto da montanha, foram dois meses de caminhadas e sacrifícios apenas para ter a pergunta que tanto me aflige respondida pelo senhor: qual é o sentido da vida?

- Tá aqui.

- Que isso?

- Uma pedra,uma pedra!

- Mas o que eu vou fazer com uma pedra?

- Você vai no troço lá, troço lá?

- Que troço?Aonde?

- São cinco bolas de sorvete por apenas um real, T-R-A-G-A A V-A-S-I-L-H-A.

- Mas mestre,eu caminhei por dois me...

- TRAGA A VASILHA!!!!!!!!! A VASILHAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!! AAAAAAAAAAAHHHHHHHHH!!!!!

E o jovem monge acabou expulso a pedradas pelo velho mestre que vive a 50 anos sozinho no alto da montanha. No caminho de volta foi devorado por ursos búlgaros selvagens.

Moral da história: Não confie em velhos mestres que vivem a 50 anos sozinhos no alto de montanhas, é bastante provável que sejam todos esquizofrênicos.

Paulo Coelho

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

O jovem mestre e seu monge

Certa vez, em um mosteiro tibetano, perguntou um jovem monge à seu mestre:

- Mestre, vivemos em um mundo injusto, violento, caótico, lotado de guerras, ódio, ignorância e intolerância.Me diga, mestre, em meio a todo esse caos, como o senhor consegue manter a serenidade e a paz de espírito?

- Dando a bunda.

- Dando a bunda?

- É.

- Ah,tá.


Paulo Coelho

Crítica : Nude Bowling Party

Por algum motivo desconhecido, esse foi o único filme do diretor J.L. Williams. Talvez, como gênio perturbado que era, Wiiliams tenha ficado com medo de não fazer algo com a mesma relevância e mágica de Nude Bowling Party, certamente o maior filme de todos os tempos.

Com seu elenco estrelar (Sara St. James mais três outras mulheres), Nude Bowling Party conta a emocionante história de uma partida de boliche que parece não ter fim. Dois times lutam ferozmente por um prêmio que só nos é revelado no final, criando um clima de suspense que beira o insuportável, e uma excitação quase enfartante. Certamente isso se deve às grandes atuações, especialmente a de Sara St. James, que simula perfeitamente um desinteresse estratégico na partida, apenas para nos surpreender no final.

A genialidade de Williams nos enquadramentos faz uma clara referência à Pasolini em “O Evangelho Segundo São Mateus”, já que em muitos momentos Williams posiciona a câmera em ângulos estranhos, como atrás de barras que obstruem nossa visão, e o que para o olho leigo pode parecer algo mal feito, na verdade praticamente nos coloca dentro da pista, como se fôssemos um espectador que chegou tarde ao evento e não conseguiu um bom lugar. Pura mágica neo-realista.

Sem mais, uma obra-prima do cinema nudista esportivo

Nota 10 de 10