quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Ele é tão sentimental...


Em uma de minhas muitas viagens ao leste europeu, onde gosto de praticar arco e flecha nos quintais de minha mansão no interior da República Tcheca, um de meus milhões de fãs me contou uma história muito interessante que decidi compartilhar com meus milhões de leitores. Uma história sobre humildade e simplicidade.


Certa vez, nos confins do Tibet, um jovem monge andava muito triste e deprimido. Estava se tornando chato, passava o dia cantarolando músicas de uma nota só, todas sobre cornice, e estranhamente uma franja crescia sobre sua testa. Sem saber o que fazer, o jovem monge foi falar com seu mestre.

- Mestre, ando muito triste.

- O que foi jovem monge? Pode se abrir aqui com seu mestre.

- Bom, é que...Tenho vergonha de dizer...

- Jovem monge?

- Sim?

- Sou eu aqui, cara! O mestre! Pode se abrir comigo, cara!

- Sim, tem razão, obrigado mestre.

- Agora diz, o que tanto te aflige?

- Sabe mestre, foi uma garota.

- Uma garota?

- Sim mestre. Sabe, eu me encontrei com uma garota uma vez, dei meu telefone para ela, e ela nunca me ligou, mestre.

- Mas jovem monge, nós não temos telefone.

- Eu sei, mas isso não me impede de me sentir traído, sabe mestre?

- Sei...

- Foram minutos tão lindos que passamos juntos...Por que ela me abandonou, meu Deus? E de lá para cá não consigo tirar essas músicas estranhas da cabeça, todas falando de cornice, abandono...

- Jovem monge, deixe-me perguntar uma coisa.

- O que quiser, mestre.

- Você é emo?

- Emo?

- Sim, emo.

- Não, mestre, não existem emos nos confins do Tibet. Aqui não pega MTV.

- Então tome isso.

- O que é isso, um amuleto?

- Não.

- Alguma espécie de objeto que vai me ajudar a refletir e meditar?

- Não.

- Algo para me dar forças para sair da depressão?

- Não.

- Alguma metáfora que vai me ensinar uma importante lição?

- Não.

- Então o que eu faço com isso?

- Enfia no cu! NO CU!!!

Paulo Coelho

Nenhum comentário: