quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Piadas Sem Graça De Hospital

PIADA SEM GRAÇA DE HOSPITAL I

- E então, Doutor, meu marido vai voltar a andar?

- Sim, vai.

- Ai, graças a Deus!

- Mas só em cadeira de rodas.


PIADA SEM GRAÇA DE HOSPITAL II

- E então, Doutor, a operação já acabou?

- Sim, já terminamos.

- E onde está o meu marido agora?

- Depende, a senhora é católica ou espírita?


PIADA SEM GRAÇA DE HOSPITAL III

- E então, Doutor, meu marido vai continuar vivo?

- Claro, claro.

- Ai, graças a Deus!

- Ele estará sempre vivo em nossos corações.


PIADA SEM GRAÇA DE HOSPITAL IV

- E então, Doutor, como foi a operação do meu marido?

- Um sucesso.

- Ai, graças a Deus! E como está meu marido?

- Morreu.

- Morreu?

- Sim, morreu.

- Então por que a operação foi um sucesso?

- Porque o tumor que retiramos dele está firme e forte.

- Ah, que bom.


PIADA SEM GRAÇA DE HOSPITAL V

- E então, Doutor, como está meu marido?

- Pega o bisturi e enfia no cu!

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Especial Anual de Natal


Sim, leitores, o momento tão aguardado por todos vocês chegou: é natal e, conseqüentemente, é chegada a hora em que posso mostrar toda a minha ternura e genialidade com meu conto anual de natal. Sim, amigos, mais um ano se passou, um ano em que eu vendi ainda mais livros, fiquei ainda mais rico, fui ainda mais adorado, ainda mais iluminado, enquanto vocês... Bem, vocês... É... Bom, vamos para o conto. E já de antemão digo que não precisam agradecer, se Deus me deu esse dom magnífico de escrever como um gênio, eu não faço mais que a minha obrigação de dividi-lo com vocês, pobres almas perdidas.

Bate o sino pequenino, sino de Belém...

Já nasceu o Deus menino para o nosso be-em!

- Alberto, acabou de nascer o filho de Deus, cara! Você precisa dar a notícia pro Rei Melquior, cara! Contamos com você!

- Pô, mas o Rei Melquior mora longe pra caralho, não da pra pingar um pra condução?

- Pra você gastar em cachaça? Nem fudendo! Agora vai, o Rei precisa saber da notícia!

- Não se preocupe, o Rei terá a notícia ainda antes do natal! Nem que eu derrube montanhas, atravesse oceanos, nem que eu dê a bunda!

- Dê a bunda?

- Sim, dê a bunda!

- Ta bom...

E foi-se o bravo Alberto, disposto a enfrentar qualquer perigo para dar a noticia ao bravo Rei Melchior. E não tardou para começar a sua primeira aventura:

- Hei, hei, aonde você pensa que vai com essa pressa toda?

- Preciso dar a noticia do nascimento do filho de Deus para o Rei Melquior da Pérsia!

- Ah, legal, mas pra passar por aqui você tem que pagar pedágio.

- Pedágio? Mas eu não tenho nenhum dinheiro, será que não existe um meio de passar sem pagar o pedágio?

- Bem, a minha área de pedágio só vai até aquela pedra, então se você passar pelo lado dela eu não posso te cobrar.

- Ora, eu não tenho tempo de andar até onde está aquela pedra!

- Mas ela está só a dez metros de distância e...

- E se eu te der a bunda, você me deixa passar?

- Bem, sim, mas a pedra está a apenas dez metros e...

- Vamos logo, homem, que eu não tenho tempo!

- Ta bom...

E assim o bravo Alberto passou por seu primeiro apuro. Mal sabia ele que não seria o último...

- Parado! Isso é um assalto!

- Ai, meu Deus! Mas eu não tenho dinheiro!

- Nenhum?

- Nada, senhor, por favor, não me mate!

- Tudo bem, pode ir.

- Por favor, senhor, tenha piedade! Eu faço qualquer coisa, mas, por favor, não me mate! Eu não posso morrer!

- Não vou te matar, porra, já disse que você pode passar!

- Por favor, senhor, eu não tenho dinheiro! Mas... E se eu te der a bunda, você me deixa ir?

- Ai, caralho, já disse que você pode ir e...

- Por favor, senhor!

- Ta bom, porra, ta bom, abaixa as calças logo!

E com essa astúcia Alberto passou por mais um obstáculo em seu caminho. E foi no deserto que ele encontrou mais uma aventura. Estava caminhando quando tropeçou em uma lâmpada, esfregou-a e, para sua surpresa, de lá saiu um gênio:

- Obrigado por me libertar, amo. Como forma de agradecimento, te concedo três desejos.

- Ai, meu Deus, eu não tenho tempo para pedir desejos, eu preciso dar a notícia do nascimento do filho de Deus para o Rei Melquior da Pérsia, e ele mora longe pra caralho!

- Pois então, você pode pedir para se encontrar com o Rei Melchior, e em um piscar de olhos estará em seu castelo.

- Ora, gênio, por favor, eu não tenho tempo para toda essa burocracia! Será que não tem um jeito de me liberar?

- Te liberar? Mas eu não estou te prendendo, eu ia te conceder três desejos e...

- E seu eu te der a bunda?

- Mas amo, você não tem obrigação nenhuma comigo e...

- Vamos, me coma logo que eu não tenho tempo a perder!

- Ta bom...

Bravo como ele só, Alberto passou por todos os obstáculos de sua viagem, e olha que foram muitos, até que finalmente chegou ao castelo do Rei Melquior da Pérsia:

- Rei Melquior, viajei por três dias e três noites, sem comer e sem dormir, passei por todo tipo de apuro que um homem pode passar, mas tudo valeu a pena, pois posso lhe dar a grande notícia! Nasceu o...

- O filho de Deus, é, já to sabendo.

- Já?

- Ih, já... Faz tempo!

- Ah, é?

- É.

- Ah, ta.

- Aceita um cafezinho?

- Não, cara, valeu, já to indo.

- Pô, assim tão cedo? Paga um dez aí, cara!

- Pô, cara, valeu, mas tô saindo. Abração, cara!

- Falou, maluco!

Ano que vem tem mais. Do seu mestre supremo,

Paulo Coelho

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Ela é um Doce de Pessoa

- Gente, estamos aqui hoje, de baixo desse viaduto, por que recebemos uma denúncia terrível. Parece que alguém... Alguém não, algum monstro sem coração, deixou cinco filhotes de poodle abandonados de baixo desse viaduto imundo. Nós vamos procurar esses filhotes e... Ai meu Deus... Ai, gente... Tão ali, gente! Os filhotinhos abandonados, Gente! Numilidipiriquiqui (já chorando sem conseguir pronunciar as palavras)! Como é que alguém pode fazer isso com os cachorrinhozinhosninhonumilidipiriquiqui! Olha só que lugar imundo, gente! Olha só onde deixaram os cachorrinhozinhos! Filma em volta, Almeida! Quanto lixo e... Ah, não, que é aquilo? Não acredito, mendigos? Mendigos! Deixaram os cachorrinhozinhos do lado de mendigos! Já imaginou se eles pegam alguma doença, gente?

- Tem problema não, dona Luisa, nós já tamo acostumado com esses bicho e...

- CALA A BOCA, TRASTE! TÔ FALANDO DOS CACHORRINHOS, ANIMAL! SAI DAQUI, BICHO IMUNDO! XISPA, XISPA! Bem, continuando, olha que horror, gente, esses bichinhos tendo que conviver com esse tipo de gente e... Numilidipiriquiqui (novamente chorando sem conseguir pronunciar as palavras)! Mas não se preocupem, que a titia vai tirar vocês desse lugar, ta?

- Puxa, dona Luisa, brigado, finalmente alguém ta olhando pra gente e...

- PUTA QUE O PARIU, DE NOVO ESSE ENCOSTO AQUI? PORRA, ASSIM NÃO DA PRA GRAVAR! Ô PRODUÇÃO, ALGUEM TIRA ESSE ANIMAL DAQUI ANTES QUE ELE ME PASSE PULGA! O CACHORRO NÃO, PORRA, O MENDIGO, PORRA, O MENDIGO!

- Pôxa dona Luisa, mas eu só queria apertar a sua mão, eu sou seu fã e... Aaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiii! A piranha me mordeu! A Piranha arrancou meu dedo!


E lá estava ela, loira, rica e respeitada, de baixo de um viaduto, de quatro, espumando pela boca, e mastigando um dedo indicador. A pobrezinha se preocupou tanto com os amiguinhos animais que esqueceu da própria dose anual de anti-rábica.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Domingo na TV

- Puxa, cara, viu o Faustão ontem? Ele entrevistou um...

- Faustão? Faustão? Você assistiu Faustão?

- Não, não... Bem, é que... Eu tava mudando de canal e...

- Mas você é mesmo um idiota, não? Por isso que só sai merda dessa sua boca nojenta, seu animal! Passa os domingos na frente da tv assistindo aquele depósito de banha! Eu tenho vergonha de te conhecer, ver-go-nha!

- Puxa, cara, você tem razão, eu sou mesmo um idiota...

- Idiota!

- Sim, sou um idiota mesmo... Desculpa.

- Idiota!

- Me desculpa... Vamos fingir que eu não disse nada, ta bom?

- Idiota!

- Ta bom. Mas e você, o que fez nesse domingo?

- Assisti o Gugu.

- Ah, é?

- É.

- Ah, ta.

domingo, 10 de dezembro de 2006

Compras de Natal

- Boa tarde, senhor. Em que posso ajudá-lo?

- Estou procurando um livro pra dar de presente de natal pra minha noiva.

- E que tipo de livro ela gosta de ler?

- O tipo?

- Sim, o tipo.

- Sabe, agora que você falou que eu percebi, acho que nunca vi ela lendo um livro na vida.

- Nunca?

- Nunca.

- Bom, então vamos para os best-sellers, são os favoritos dos ignorantes.

- Comé que é?

- O que, senhor?

- Ta chamando minha noiva de ignorante, vagabundo?

- Não, senhor, por favor, senhor, não foi minha intenção, senhor! Estou apenas tentando lhe ajudar!

- Pois agora tua mãe que vai ter que te ajudar a tirar as balas do cu, filho da puta!

- Calma, senhor, calma! Veja, que tal esse livro? “Bobby, um cãozinho trapalhão”?

- “Bobby, um cãozinho trapalhão”? É, acho que ela gostaria desse... É bonitinho, né?

- Sim, senhor, muito bonitinho. Agora pode me fazer um favor?

- Sim?

- Pode tirar a arma do meu cu?

- Ah, sim, desculpe.

- Estamos aqui pra isso. Bem, posso embrulhar pra presente?

- Espere... Agora que eu lembrei por que nunca vi ela lendo um livro na vida, ela é analfabeta de nascença.

- Ah, então leva esse.

- Paulo Coelho?

- É certeza dela gostar, senhor. Todos os analfabetos gostam.

- Maravilha, vou levar, então.

- Que bom, senhor, vou embrulhar e...

- Puxa, cara, agora que eu lembrei... Além de ser analfabeta eu nem tenho noiva.

- Ah, é?

- É.

- Ah, ta.

- Bom, feliz natal!

- Feliz natal e volte sempre!

Uma pena a noiva dele não existir, “Bobby, um cãozinho trapalhão” é exatamente o tipo de livro que ela gosta de ler. Apesar de ser analfabeta.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Delicioso esse assado

- Huuuummmmm...Puxa vida, dessa vez você se superou, Mariana. O melhor assado que eu comi na vida!

- É, realmente, dessa vez me superei, delicioso esse assado.

- É, realmente, delicioso esse assado. Mas, só uma pergunta, porque você está dando de mamar pra uma alcatra?

- Uma alcatra? Ai meu Deus, uma alcatra! Puta que o pariu, acho que eu assei o Júnior!!!

- Vo-você assou o Júnior? Hahahahahaha, caralho, só você pra confundir uma alcatra com o Júnior!

- AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH!!! Meu Deus!!! Eu matei meu filho!!! Meu único filho!!! Eu matei o Júnior!!!

- Hahaha, você tinha que ver, Mariana! Muito engraçado você dando de mamar pra uma alcatra! Impagável, impagável...

- Cadê a arma, a arma? Eu vou me matar, com a arma. Vou, vou me matar, sim, com a arma. Sim, vou, vou sim, com a arma.

- Ah, relaxa aí, Mariana. Filho depois a gente faz outro. Mas vem cá, o que você fez de sobremesa? Pudim de chocolate? Mas você não confundiu a lata de leite condensado com o cachorro, não, né? Hahahahaha! Vê lá, hein? Hahahahaha!

- Ta aqui a arma. Pá!

- Pô, Mariana, não sabe brincar não brinca!

E, com muito carinho e ternura, ele criou sozinho o pedaço de alcatra, que hoje é um dos membros mais respeitáveis da O.A.B.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Uma Festa da Pesada

“Hoje à noite: sexo drogas e rock’n roll. Não perca! Apenas R$20,00 e tudo liberado”.

- Toc, toc.

- Sim?

- Olá, vim para a festa.

- Que festa?

- A que está nesse cartaz, sexo, drogas e rock’n roll.

- Ah, sim, essa festa. Mas o pagamento é adiantado.

- Aqui está.

- Entre, entre.

- Mas onde ta todo mundo?

- Que todo mundo?

- Da festa!

- Na verdade você foi o primeiro a chegar.

- Mas já são duas da manhã!

- Ah, sabe como é, né?As pessoas gostam de vir tarde pra essas festas, né?

- É, acho que sim...

- Pode se servir, a bebida é liberada.

- Mas aqui só tem Fanta Uva e Mineirinho.

- É isso aí, cara, Fanta Uva e Mineirinho, cara, Fanta Uva e Mineirinho! Woohoo!

- Porra, mas e o Álcool?E as drogas?

- Psssss... Ta aqui, ó, cara...

- Que isso? Bombom?

- Psssss... Bombom de licor, cara, bombom de licor...

- Ah, vai pra puta que o pariu, me devolve o dinheiro que eu to indo embora.

- Mas e o sexo, cara, não vai querer o sexo?

- Que sexo, não tem mulher nenhuma aqui!

- Bom, de carne e osso não, mas eu tenho essa coleção de revistas...

- Marie Claire?

- Pode usar à vontade, cara, o banheiro é na segunda à direita.

- Eu não quero, porra, não quero! E quer saber, fica com o dinheiro, to saindo fora! Porra, era só o que me faltava, Marie Claire e... Peraí, peraí... Isso que ta tocando é...

- É isso mesmo. Glenn Miller, cara... Glenn Miller...

- Bom, talvez eu fique mais um pouco...

E passaram a madrugada se embriagando com os bombons de licor e dançando coladinhos ao som de “Moonlight Serenade”. Foi a noite mais mágica de suas vidas.

sábado, 25 de novembro de 2006

Inimigo Oculto

- Puxa vida, um rolo de papel higiênico como presente de inimigo oculto? Muito original, Fonseca, realmente muito original.

- Mas não vai usar aqui na frente de todo mundo, hein Sanchez? Hehehe...

- Ah, sim, muito boa, Fonseca, muito boa... Bom, creio que chegou minha vez, vamos ver quem advinha. O meu inimigo oculto é... É... Ele é muito... Gosta de... Ah, foda-se, é o Onassis!

- Sou eu? Puxa, que honra, Sanchez!

- Aqui está seu presente de inimigo oculto, amigão.

- Veja só, veja só, é uma caixa bem grande. E está vazando algo vermelho do fundo... Já sei, é uma garrafa de vinho?

- Não, não, abre a caixa e verá.

- Um sorvete de morango?

- Não, abre a...

- Refresco de groselha?

- Abre logo a porra da caixa!

- Vamos ver, vamos ver... Puxa, quem deu esse nó, hein? Vou abrir com cuidado para não estragar a embalagem... Estou abrindo, estou abrindo...E é uma... É uma... PUTA QUE O PARIU, É UMA CABEÇA HUMANA!!!

- Não é só uma cabeça humana, Onassis. É a cabeça da sua avó!

- É a... Cabe... Mi... Vó... Hahahaha, você me deu de inimigo oculto a cabeça da minha própria avó?

- Hehehe, precisava ver sua cara quando viu que a cabeça era da sua avó! Impagável, Onassis, impagável.

- Hahaha, realmente nessa você me pegou, Sanchez... E eu que achei que tinha exagerado dando uma cueca do ursinho Puff pro Antunes! Genial, Sanchez, genial.

- E você nem imagina o trabalho que deu pra conseguir essa cabeça, Onassis. Tive que fingir ser entregador de farmácia para sua avó me deixar entrar em casa. Como não tinha armas, a solução foi tentar matá-la com suas próprias muletas. E vou te falar, sua avó era dura na queda, hein? Foram uns vinte minutos de coronhadas constantes na cabeça até que finalmente a velha morreu. E pra cortar o pescoço, então? Impressionante como ela não tinha uma faca afiada em toda a casa.

- Puxa vida, Sanchez, todo esse sacrifício só para fazer essa brincadeira comigo? Porra, Sanchez, você é o cara, Sanchez, você é o cara... Ao contrário do idiota do Fonseca. Dar papel higiênico de inimigo oculto, que brincadeira mais sem graça...

- É, o Fonseca é mesmo um idiota...

E o Fonseca saiu correndo da sala para chorar sozinho no banheiro masculino. Foi o pior inimigo oculto da sua vida.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Cada um tem o Deus que merece

- Deus? Oh, meu Deus, responda-me, que eu preciso de ti!

- Oi, fala.

- De-Deus? É o Senhor mesmo?

- Não, é a sua mãe, não ta reconhecendo a voz, não? Claro que sou eu, porra, não me chamou?

- Ma-mas, é o Deus de verdade? O criador do céu e da terra?

- Bem, na verdade isso é só um sonho, então eu sou uma representação de Deus tirada do seu subconsciente e... E foda-se, pergunta logo o que você quiser que você ainda tem dois sonhos eróticos e um com a sua mãe morrendo esperando na fila. Aliás, cuidado pra não chegar todo melado no sonho com a sua mãe morrendo, hein? Hahahaha!

- Hã?

- Nada, diz logo o que você quer!

- Bem, sabe o que é?

- Não, não sei o que é.

- É que não era essa a imagem de Deus que eu esperava. Eu esperava algo mais... É... Mais bondoso... Ou mais simpático, pelo menos.

- Ah, ele quer alguém mais bondoso... Mais simpático... Que tal o padre Marcelo?

- Puxa, legal, eu gosto do padre Marcelo.

- Ah, que bom, então eu posso virar o padre Marcelo, e começar a cantar, a bater palma e a rebolar!

- Sim, isso seria ótimo!

- Ou eu posso me irritar, te mandar pra puta que o pariu e misturar teus sonhos eróticos com o da morte da tua mãe! Que tal isso, hein?

- Não, não, desculpe, pelo Seu amor, o Senhor está bem assim.

- Então pergunta logo!

- Deus, existe vida após a morte?

- Ah, eu sabia! Todo esse parto pra ele fazer essa pergunta idiota! Escuta, porque você não se preocupa em viver ao invés de se preocupar com a morte? Se eu joguei todas essas coisas no mundo é pra vocês homens idiotas usarem, caralho! Não devia ter criado essa raça de ressaca...

- Mas o que fazer, meu Deus? Me mostra um caminho!

- Você ta achando que isso aqui é o que? Um texto do Paulo Coelho? Procura sozinho, porra! Vai fazer o que você gosta, corre atrás dos seus sonhos e não me enche o saco! O que tem depois da morte você vai descobrir quando morrer. Deve ser por isso que você tem ejaculação precoce, não sabe esperar! Agora chega, já passou da minha hora e o sonho erótico já ta pronto pra entrar. Mas semana que vem tem mais, eu aqui no meu velho e querido banco, você aí na sua cama fedida, por que?

- Deus é o Carlos Alberto de Nóbrega?!

- Claro que não, sou só um fã. Vai ser burro assim no inferno...

- Deus, espere, espere, Deus! Eu preciso de respostas! Eu preciso de respostas!

- Toc-toc.

- Quem é?

- As mulheres do seu sonho erótico.

- Ah, que se foda, entrem

E ele decidiu seguir o conselho de Deus e correr atrás de seu maior sonho: comer a Silvia Saint. Não conseguiu, mas pelo menos conheceu Praga. Uma bela cidade, realmente.

sábado, 18 de novembro de 2006

Sexo e Super Trunfo

- E o que você deseja saber sobre seu futuro?

- Bom, não sei, na verdade eu nem acredito muito nessas coisas, é a primeira vez que eu venho num cartomante e...

- SILÊNCIO! Preciso me concentrar.

- Sim, é que eu não estou acostumado, é a primeira vez que eu...

- CALA A BOCA, PORRA!

- Hã? Cala a boca? Está bem...

- Sim, já estou vendo.

- O quê?

- Algo no seu futuro.

- O quê?

- Algo que vai acontecer com você no futuro.

- Bom, então diga.

- Você vai dar a bunda.

- O QUÊ? Então é pra isso que eu vim aqui? Pra ouvir que eu vou dar a bunda?

- Sim, você vai dar a bunda.

- Ora, eu nunca fui tão insultado na minha vida! Saiba que eu tenho mulher e filhos, e sou um advogado de renome!

- Bom, mas vai dar a bunda.

- Mas a culpa é minha, quem mandou vir nessa merda, o cara lê o futuro com baralho de super trunfo! Eu sou um otário mesmo, puta que o pariu...

- Sim, você vai dar a bunda, sim. E digo mais, você vai gostar.

- Ah, essa foi demais, vai pra puta que o pariu! Agora sim, vou te processar e te denunciar na ACB (associação dos cartomantes brasileiros), seu filho da puta!

- Sim, você vai gostar, sim. Você vai gostar...

- Ora, que espécie de cartomante é você? É assim que você trata seus clientes?

- Ei...

- Que foi?

- Vai dizer que você não gostou?

- O quê? Eu não sou obrigado a ouvir isso, e...

- Ah, vai? Você gostou de ouvir isso, não gostou?

- Bem, eu...

- Gostou, gostou sim, não gostou?

- Eu...

- Hein?

- É, acho que sim... É, vou gostar, sim... Puxa vida, eu vou dar a bunda, nem acredito! Obrigado, muito obrigado, você é ótimo, maravilhoso! Quanto eu lhe devo?

- Nada, nada...

- Ora, por favor, eu insisto!

- Bem, já que você insiste, poderia me dar uma coisa...

- A bunda?

- A bunda.

E viveram felizes para sempre, dando a bunda e jogando super trunfo.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Me diga, papi...

- Papai, quê que é alcoólatra?

- Alcoólatra?

- Sim, alcoólatra.

- Alcoólatra é... Bêbado em inglês, eu acho.

- Ah, ta... E você é alcoólatra, papai?

- Não, filho, não. Papai é cachaceiro. Ca-cha-cei-ro.

- Ah, ta... Papai?

- Diga, filho.

- Posso ser cachacheiro também?

- Não, filho, não... Só os papais são cachaceiros, você ainda é muito pequenininho. Agora vai

fumar crack com os amiguinhos, vai?

- Ah, ta bom, papai...

- Crianças...

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Sonho caótico

- Tive um sonho muito estranho ontem.

- Outro?

- Sim, outro. Mas esse foi o pior. Tenho até medo de lembrar...

- Calma, não tenha medo, lembre-se que o medo é o pior inimigo da... da... é... bom, não lembro, mas é um grande inimigo de alguma coisa importante.

- Sim, tem razão, preciso enfrentar meus medos, não é?

- Claro, por quê não?

- Sim, vou contar. Vou, vou contar, sim.

- Pois conte.

- Foi o pior pesadelo da minha vida. Sonhei que estava sozinho em casa, deitado nu na cama, quando toca a campainha. Abro a porta nu, e entra a Hebe Camargo, também nua, e...

- Espera, espera... A Hebe Camargo? Nua?

- Sim...

- Caralho... Mas continue.

- Bom, entrou a Hebe Camargo nua, com uma garrafa de champagne. Começamos a beber, e é uma champagne muito boa, caríssima, e papo vai, papo vem, começamos a nos beijar.Aí então...

- Ah, não, vai se foder! Você começou a beijar a Hebe Camargo?

- Sim...

- Puta merda, cara... Mas continue.

- Bem, estávamos nos beijando, e foi muito estranho, porque ela estava sem dentadura, e seus lábios estavam muito murchos e secos, me senti com a boca no saco de um velho. Comecei a acariciá-la e demorei um pouco pra achar seus seios, mas depois de um tempo percebi que eles estavam perto dos calcanhares. Não demorou muito e já estávamos na cama, e eu peguei e...

- Não, para, vai se foder, para, não agüento mais! Fica pior que isso?

- Sim...

- Meu Deus do céu, isso é o inferno! Puta que o pariu... Vai, termina de contar logo essa porra.

- Bem, estávamos na cama, eu e a Hebe, e eu... Bem, eu... Não, não posso contar, é muito horrível, meu Deus!

- Não, agora você vai contar até o fim!

- Mas é horrível demais...(Tentando prender o choro)

- Não, seu puto, vai contar! Vai contar!

- Tudo bem, eu conto, eu conto... Eu pedi pra ela mijar em cima de mim! Eu pedi pra Hebe Camargo mijar em cima de mim, porra! Meu Deus, a Hebe Camargo!(Sem controlar o choro)

- PUTA QUE O PARIU!VOCÊ É DOENTE, CARA!

- Sim, eu sei, eu sei!(Chorando descontroladamente)

- Eu já ouvi muita loucura na minha vida, mas pedir pra ser mijado pela Hebe Camargo? Isso é a pior coisa que eu ouvi na minha vida! Caralho, é a pior coisa que eu ouvi na minha vida!

- Ae, mes Deuch!(Chorando sem conseguir pronunciar as palavras)

- Depois disso só tenho um conselho pra te dar. Se mata, cara. Por favor, se mata.

- Me matar?

- Por favor, se mata. Vai tomar no cu e se mata. Faz um favor pra humanidade e se mata.

- É... Você está certo... Vou me matar...

- Isso, se mata. Mas agora saia do meu consultório, verme nojento.

- Ae mês Deusch! Ahcheachecachhe...(Desesperado, sem conseguir pronunciar as palavras e chorando até pelo cu).

E foi nesse dia que decidi que seria melhor parar de fazer terapia.,

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

O Pastor e a senhora paralítica

- E há quanto tempo a senhora está nessa cadeira?

- Há vinte anos, pastor.

- Há vinte anos numa cadeira de rodas, gente. Tão vendo? Isso é o encosto que não deixa ela andar, que não deixa ela se locomover, que não deixa ela exercer o direito sagrado de ir e vir! Mas agora eu te pergunto: a senhora quer voltar a andar?

- Ah pastor, se Deus quiser, é o que eu mais quero.

- O que? A senhora falou muito baixo, acho que Jesus não te ouviu, repita.

- É o que eu mais quero!

- Mais alto, em nome de Jesus!

- É o que eu mais quero, Jesus!!!

- Mais alto!!!

- É O QUE EU MAIS QUEROOOOOOOO!!!!!!!

- ENTÃO LEVANTA-TE E ANDA, EM NOME DE JESUS!!!!!!!!ANDA!!!!!

- AAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!!!

E a senhora levantou, mas não andou. Foi direto para o chão, caindo de nariz, deixando uma poça de sangue sob os sapatos do pastor. Os fiéis assistiam a tudo chocados. O templo ficou alguns segundos sob um silêncio infernal, até que o pastor, limpando seus sapatos, não se conteve e gritou:

- Porra, quem foi o retardado que me trouxe uma velha aleijada, caralho? Tão querendo que eu faça milagre, porra?

Outra vez um silêncio infernal. Mas dessa vez um outro tipo de silêncio, do tipo que se ouve depois que alguém pergunta para um médico, “E então, doutor, é grave?”.

Até que finalmente um fiel quebrou o silêncio, levantou-se e gritou:

- Esse pastor num é milagreiro porra nenhuma! Vamos matar esse filho da puta!!!

Não deu nem tempo do pastor se defender. Centenas de crentes alucinados voaram para cima do homem indefeso. Os que não conseguiram entrar no bolo para bater gritavam palpites de como torturar o pobre desgraçado:

- Chuta o saco dele!

- Faz ele comer a bíblia!

- Enforca ele com a gravata de seda!

- Enfia a cruz no cu dele!

Era como se todos os anos de sacrifícios sem pecados explodissem numa onda de maldade e violência. Mas nem tiveram tempo de torturá-lo, em pouco tempo já nem se reconhecia mais um homem, apenas vísceras em meio a tufos de cabelo e um terno rasgado.

Mais alguns instantes de silêncio infernal, até que o mesmo crente gritou:

- Vamos pegar o dinheiro dos dízimos de volta do cofre!!!

- E quem sabe onde fica o cofre?

- Eu sei, fica no camarim do Pastor!

E a multidão de ex-crentes alucinados correu para o camarim do defunto, mas já era tarde demais. No camarim restavam apenas uma televisão, cinco DVDs da Silvia Saint, um cofre aberto e vazio e uma cadeira de rodas abandonada.

Para não sair de mãos abanando, o crente que liderou a revolta pegou os cinco DVDs da Silvia Saint.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Ele é tão sentimental...


Em uma de minhas muitas viagens ao leste europeu, onde gosto de praticar arco e flecha nos quintais de minha mansão no interior da República Tcheca, um de meus milhões de fãs me contou uma história muito interessante que decidi compartilhar com meus milhões de leitores. Uma história sobre humildade e simplicidade.


Certa vez, nos confins do Tibet, um jovem monge andava muito triste e deprimido. Estava se tornando chato, passava o dia cantarolando músicas de uma nota só, todas sobre cornice, e estranhamente uma franja crescia sobre sua testa. Sem saber o que fazer, o jovem monge foi falar com seu mestre.

- Mestre, ando muito triste.

- O que foi jovem monge? Pode se abrir aqui com seu mestre.

- Bom, é que...Tenho vergonha de dizer...

- Jovem monge?

- Sim?

- Sou eu aqui, cara! O mestre! Pode se abrir comigo, cara!

- Sim, tem razão, obrigado mestre.

- Agora diz, o que tanto te aflige?

- Sabe mestre, foi uma garota.

- Uma garota?

- Sim mestre. Sabe, eu me encontrei com uma garota uma vez, dei meu telefone para ela, e ela nunca me ligou, mestre.

- Mas jovem monge, nós não temos telefone.

- Eu sei, mas isso não me impede de me sentir traído, sabe mestre?

- Sei...

- Foram minutos tão lindos que passamos juntos...Por que ela me abandonou, meu Deus? E de lá para cá não consigo tirar essas músicas estranhas da cabeça, todas falando de cornice, abandono...

- Jovem monge, deixe-me perguntar uma coisa.

- O que quiser, mestre.

- Você é emo?

- Emo?

- Sim, emo.

- Não, mestre, não existem emos nos confins do Tibet. Aqui não pega MTV.

- Então tome isso.

- O que é isso, um amuleto?

- Não.

- Alguma espécie de objeto que vai me ajudar a refletir e meditar?

- Não.

- Algo para me dar forças para sair da depressão?

- Não.

- Alguma metáfora que vai me ensinar uma importante lição?

- Não.

- Então o que eu faço com isso?

- Enfia no cu! NO CU!!!

Paulo Coelho

domingo, 29 de outubro de 2006

Dudu Cearense

- Sra. Johnson?

- Sim, doutor, como está meu marido?

- Bem, Sra. Johnson, receio que as notícias não são boas.

- Ai meu Deus, ai meu Deus, eu sabia, eu sabia! Será que é muito grave? Ai, Jesus, eu não sei o que vai ser de mim sem o Armando, eu não posso viver sem ele, meu Deus, não posso! Por favor, doutor, ele não vai morrer, vai? Diga que não, doutor, por favor, diga que não! O que é doutor, diga.

- Bem, Sra. Johnson, eu vou ser breve, pois preciso atender outros pacientes. O seu mari...

- Espere, espere, o que disse? Que precisa atender o Dudu Cearense?

- O que? Não, haha, disse que preciso atender outros pacientes, hahaha!

- Ah, outros pacientes...Hahahahaha, e eu pensei que você tinha dito que ia atender o Dudu Cearense,hahahahaha!

- Hahaha, mas de onde a senhora tirou Dudu Cearense? Até parece que ele estaria nessa merda de hospital, hahahaha!

- Hahahaha, e o pior é que eu nem sei quem é Dudu Cearense!

- É um jogador de futebol que joga na Rússia.

- Na Rússia! E eu nem gosto de futebol! Hahahaha!

- Hahaha, bom, mas voltando ao seu marido, ele...

- Como eu fui confundir paciente com Dudu Cearense, meu Deus! Hahaha, não tem nada a ver o cu com as calças, hahaha!

- Hahahaha, ai meu Deus, muito boa essa, hahaha...

- Hahahaha...

- Hahaha...Ai, ai...Bom, agora sim. O seu marido vai morrer.

- Vai?

- Vai.

- Ah, foda-se, ele também não é nenhum Dudu Cearense, hahahahaha!!!

- Hahahahahahaha!

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

É ele mesmo!

- Não, não acredito...

- Ai meu Deus...

- Não, não pode ser, você é quem eu estou pensando?

- Sim, sim, sou eu...

- AAAAAAAAHHHHH, é ele, é ele, não acredito, é ele mesmo!

- Calma, calma, hehehe...

- Ai, não acredito, eu sou sua maior fã, completamente apaixonada!

- Hehe, que isso, assim eu fico envergonhado...

- Mas é verdade, eu sou sua maior fã! Você vai ter que me dar um autógrafo.

- Claro, tem uma caneta?

- Tenho sim. Nossa, se você soubesse como eu esperei por esse momento!

- É mesmo?

- Nossa, meu maior sonho era te conhecer! Mas as pessoas devem te dizer isso o tempo todo, né?

- É, realmente, a gente acaba se acostumando.

- Ai, nem acredito! Sabe, eu sempre sonho com você!

- É mesmo? E como são esses sonhos?

- Ah, eu tenho vergonha, riririri...

- Que é isso, pode se abrir comigo.

- Bom, sabe, normalmente os sonhos são assim, meio eróticos...

- Eróticos? Eróticos como?

- Eróticos, assim, eu e você...

- Eu e você? E mais ninguém?

- É...Eu e você...

- E...Você tem sempre esses sonhos?

- Sempre...Toda noite...

- Puxa, fico lisonjeado...

- Sabe, eu estou hospedada no quarto 314, será que a gente não podia dar uma passada lá e...Sabe?

- Sei...Realizar o seu sonho?

- É..riririri...

- Pois seria um prazer.

- Ai,meu Deus, nem acredito! Mas antes você vai me dar aquele autógrafo!

- Claro, claro, qual é o seu nome?

- Dalila.

- “Para Dalila, minha fã número um, um grande beijo do Otaviano Augusto”.

- Peraí, peraí...Otaviano Augusto?

- Sim, Otaviano Augusto.

- Que isso, seu nome de batismo? Não, não, assina com o nome artístico, por favor.

- Não, Otaviano Augusto é meu nome artístico mesmo.

- Mas...Você não é o Carlos Kodak, o ator da novela das oito?

- Não...

- O que faz o filho da Glorinha? Não?

- Não, não, não sou eu...

- Mas, gente, é a cara dele!

- É, dizem que nós somos parecidos, realmente.

- Meu Deus... E eu estava esse tempo todo achando que você era o Carlos Kodak, acredita?

- Que coisa, não?

- Pois é...

- É...

- Mas...Você é famoso?

- Sim, claro, eu fui um dos apresentadores do programa do Hugo. Lembra do Hugo?

- Hugo?

- É, o Hugo, aquele programa em que as pessoas ligavam e jogavam pelo telefone...Lembra?

- Ah, sim, o Hugo.

- Pois então, eu fui um dos apresentadores do Hugo.

- Ah, ta...

- É...

- Então, só confirmando, você NÃO É o Carlos Kodak?

- Não, realmente não sou eu, eu sou o Otaviano Augusto.

- Otaviano Augusto?

- Esse mesmo.

- Sei...

- Pois é...

- É...

- É...

- ...

- ...

- Poderia devolver minha caneta?

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Para eso estamos

- Garçom, venha aqui!

- Pois não, senhor?

- Veja, veja. Tem anchovas na minha pizza. An-cho-vas. E eu fui muito claro ao pedir minha pizza sem anchovas, não fui?

- Mas senhor, isso não são anchovas.

- Não?

- Não, senhor.

- Ora, o que são, então?

- Baratas, senhor.

- Puxa vida, é verdade, são mesmo baratas... Me perdoe, achei que fossem anchovas.

- Estamos aqui pra isso, senhor.

domingo, 22 de outubro de 2006

Querido, vou ao mercado

- Querido, estou saindo, vou ao mercado, quer que eu compre alguma coisa?

- O q, o que disse...?

- Vou ao mercado, tô precisando comprar uns ovos, minha mãe vem aí e...

- Vo-você está me deixando? É isso que estou ouvindo, Mariana?

- O quê?

- Mas por quê, meu Deus, por quê?

- Você tá louco? Tá com encosto? Eu vou ao mercado!Mer-ca-do!

- Ah, claro, vá, vá, vagabunda ingrata, mas diga uma coisa: o que serão das crianças?Hein?

- Que crianças, porra, que crianças?

- Tudo bem, pode ir, eu fico com elas, elas sempre gostaram mais de mim.

- Qual é o seu problema, Cláudio? Andou cheirando a lata de tiner de novo?

- Claro que vou deixar você ir, afinal, estamos numa república, mas não sem me dizer uma coisa antes: onde foi que eu errei Mariana, onde foi que eu errei?

- Em lugar nenhum, merda! Puta que o pariu, Cláudio, falta meia hora pro mercado fechar e eu preciso comprar dois ovos, entendeu? Minha mãe...

- É o meu nariz, não é? Ele é muito grande, não é? Você fica com vontade de vomitar quando olha pra ele, não é? Pois saiba que eu não tenho culpa de ter nascido assim, Mariana, eu não tenho culpa!

- Querido, me ouve um minutinho, tá? Foda-se o seu nariz, eu não me importo com o seu nariz, eu só quero ir ao mercado comprar duas merdas de ovos!

- Já sei, são meus furúnculos... Meus furúnculos nojentos...Pensa que não percebo como você se enoja por causa dos meus furúnculos? Aqueles furúnculos nojentos cheios de pus se esfregando contra sua pele...

- Querido...Meu amor... Pelo amor do caralho... Eu não estou te deixando... Eu não tenho nojo dos seus furúnculos... Acho até um bom passatempo ficar espremendo eles nas tardes de domingo... Eu só quero dar uma passadinha no mercado para comprar uns ovos, tá bom, mozinho?

- Eu sabia, eu sabia, só podia ser isso...Estou muito gordo pra você, não é isso? Pois saiba que eu estou me matando tentando emagrecer pra você! Se eu passei oito horas por dia dos últimos cinco anos trancado dentro de uma academia foi pra ficar mais bonito pra você, Mariana!

- Mas eu só preciso de dois ovos, porra, eu só preciso de dois ovos!!!

- Pois você não vai sair desta casa enquanto não disser a verdade!

- Eu já disse, eu só quero...

- A verdade!!!

- Mas eu...

- A VERDADE!!!

- Tá bom, porra, tá bom, é o seu pau!!!

- Meu pau?

- É, teu pau, teu caralho, tua trolha!!!

- O que tem meu pau?

- Não tem, esse que é o problema! Parece que colocaram uma pinta onde seu pau deveria estar! Você tem um pau de merda, um pau minúsculo, ridículo, parece que toda noite eu sou comida por um bebê de sete meses, porra, DE SETE MESES!!!

- Mas eu achei que...

- Eu não agüento mais! Toda vez que você tira a calça eu me sinto uma pediatra examinando um neném com fimose! Eu não sei se sinto pena ou ódio de você, não sei se me mato, se te mato, ou se te mato e me suicido depois! Eu tô ficando louca!!! LOUCAAAAAAAAA!!! AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH!!!

- Então é meu pau, é?

- É, seu pau...

- Ah, é?

- É...

- Ah, tá...

- Bom, vou ao mercado, quer que eu compre alguma coisa?

- Açúcar. Há dois dias que eu tô tomando café com adoçante. Odeio café com adoçante.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Outra do General







Puxa vida, esse General não tem jeito mesmo...Qual será a próxima que ele vai aprontar?
Fiquem ligados!!!

terça-feira, 17 de outubro de 2006

O jovem monge búlgaro e o velho mestre que vive a 50 anos sozinho no alto da montanha

Certa vez, um jovem monge búlgaro perguntou a seu mestre:

- Mestre, tenho uma pergunta que precisa ser respondida, já não suporto mais viver com ela.

- Pois diga, meu filho, o que tanto te aflige?

- Qual é o sentido da vida?

- Esta é uma pergunta muito difícil, e creio que apenas um homem possui a resposta.

- Quem, mestre?

- O velho mestre que vive a 50 anos sozinho no alto da montanha.

E foi-se o jovem monge búlgaro à procura do velho mestre que vive a 50 anos sozinho no alto da montanha. Foram dias e noites de constante caminhada, enfrentando chuva, neve, granizo, escalando morros e montanhas, e sobrevivendo apenas com seu carregamento de miojo, salsicha enlatada e ervilhas congeladas. Após dois meses de sacrifícios, finalmente o jovem monge encontra o velho mestre que vive a 50 anos sozinho no alto da montanha. Exausto, e ao mesmo tempo esperançoso de ter finalmente a resposta da pergunta que o perturbou por tanto tempo, o jovem monge pergunta ao velho mestre que vive a 50 anos sozinho no alto da montanha:

- Velho mestre que vive a 50 anos sozinho no alto da montanha, foram dois meses de caminhadas e sacrifícios apenas para ter a pergunta que tanto me aflige respondida pelo senhor: qual é o sentido da vida?

- Tá aqui.

- Que isso?

- Uma pedra,uma pedra!

- Mas o que eu vou fazer com uma pedra?

- Você vai no troço lá, troço lá?

- Que troço?Aonde?

- São cinco bolas de sorvete por apenas um real, T-R-A-G-A A V-A-S-I-L-H-A.

- Mas mestre,eu caminhei por dois me...

- TRAGA A VASILHA!!!!!!!!! A VASILHAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!! AAAAAAAAAAAHHHHHHHHH!!!!!

E o jovem monge acabou expulso a pedradas pelo velho mestre que vive a 50 anos sozinho no alto da montanha. No caminho de volta foi devorado por ursos búlgaros selvagens.

Moral da história: Não confie em velhos mestres que vivem a 50 anos sozinhos no alto de montanhas, é bastante provável que sejam todos esquizofrênicos.

Paulo Coelho

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

O jovem mestre e seu monge

Certa vez, em um mosteiro tibetano, perguntou um jovem monge à seu mestre:

- Mestre, vivemos em um mundo injusto, violento, caótico, lotado de guerras, ódio, ignorância e intolerância.Me diga, mestre, em meio a todo esse caos, como o senhor consegue manter a serenidade e a paz de espírito?

- Dando a bunda.

- Dando a bunda?

- É.

- Ah,tá.


Paulo Coelho

Crítica : Nude Bowling Party

Por algum motivo desconhecido, esse foi o único filme do diretor J.L. Williams. Talvez, como gênio perturbado que era, Wiiliams tenha ficado com medo de não fazer algo com a mesma relevância e mágica de Nude Bowling Party, certamente o maior filme de todos os tempos.

Com seu elenco estrelar (Sara St. James mais três outras mulheres), Nude Bowling Party conta a emocionante história de uma partida de boliche que parece não ter fim. Dois times lutam ferozmente por um prêmio que só nos é revelado no final, criando um clima de suspense que beira o insuportável, e uma excitação quase enfartante. Certamente isso se deve às grandes atuações, especialmente a de Sara St. James, que simula perfeitamente um desinteresse estratégico na partida, apenas para nos surpreender no final.

A genialidade de Williams nos enquadramentos faz uma clara referência à Pasolini em “O Evangelho Segundo São Mateus”, já que em muitos momentos Williams posiciona a câmera em ângulos estranhos, como atrás de barras que obstruem nossa visão, e o que para o olho leigo pode parecer algo mal feito, na verdade praticamente nos coloca dentro da pista, como se fôssemos um espectador que chegou tarde ao evento e não conseguiu um bom lugar. Pura mágica neo-realista.

Sem mais, uma obra-prima do cinema nudista esportivo

Nota 10 de 10